quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Revista «human» de Janeiro


A edição número 37, que marca o início do quarto ano do projecto. Já nas bancas (mais informações aqui; e clicar na imagem para aumentar).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

António Souto – Crónica (43)


… já que entrou na agenda, e se emigrássemos e deixássemos os reis barrigudos a pregar para os peixes?!

E tudo o resto a menos
Ontem foi feriado, talvez um feriado a menos que, não faltando, poderá vir a faltar-nos. A história dos homens faz-se com a história dos homens – com os factos, com os mitos, com os simulacros, com as ausências, com os vazios.
Para o ano, a nossa história será diferente, forçosamente outra, mais triste e mais pobre, e não apenas por falta de feriados nem por falta das «festas» que etimologicamente representam. E se para além de tudo quanto cessar houver ainda menos feriados, haverá seguramente feriados a menos, porque todos, cada um a seu modo, serão para muitos um mal necessário, um dia de folgança a menos que tornará o ano mais longo, mais pesado e mais macambúzio. Tão ou mais do que a baixa lisboeta sem iluminação, sem uma árvore içada por uma estrela, sem um vestígio de natal.
Está bem, ele há gente virtuosa que sabe que os feriados são quase todos dissonantes e escusados e infecundos, mas é admirável que quem tem o dom de ter o rei na barriga – que é quem manda em nós – só descubra estes ignóbeis adjectivos quando a crise bate à porta e é preciso mostrar aos outros (sempre aos outros) que há que manter bem firmes as rédeas, bem firmes e curtas, porque a verdade é só uma (é sempre só uma) e há que evitar o dilúvio causado pelos outros (sempre pelos outros), por aqueles que precederam estes e por aqueles que precederam os que precederem estes e por aí fora...
E a tristeza e a pobreza acrescida do próximo ano levará ainda em cima com uns dias de férias a menos a juntar aos feriados a menos e ao salário a menos e aos subsídios a menos e às deduções a menos e aos descontos a menos e a tudo o resto a menos.
Hoje, no dia seguinte a uma provável comemoração a menos, tenho diante de mim vinte e tal alunos tentando buscar sentido a algumas palavras do Pe. António Vieira: «A primeira coisa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande.»
Mas estes jovens que me acompanham na leitura têm alguma dificuldade em enxergar nos dias de hoje e nestas bandas de cá desedificações assim tão escandalosas, porque a noção de «circunstância», mitigada pela escola, não é ainda matéria com que se defrontem, daqui a meia dúzia de anos, sim, que é quando se perderão na «cidade», como num «açougue». E não haverá nessa altura feriados a menos nem feriados a mais, haverá porventura uma porta sem saída. A única saída.
[Ontem foi o 1º de Dezembro. Ontem estive muito perto das palavras do Pe. António Vieira.]
Bem sei que não é original, mas já que entrou na agenda, e se emigrássemos e deixássemos os reis barrigudos a pregar para os peixes?!

Crónica de Dezembro de 2011 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28; 29; 30; 31; 32; 33; 34; 35; 3635; 3738;   39; 40; 41; 42.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Lito (2003-2011)


Quando chegava Dezembro, ganhava invariavelmente o prémio de animal do ano por aqui. O Lito. Descansa agora debaixo de um velho vimeiro, junto de um amigo, como ele, inesquecível.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uma frase

«Os políticos são muito bons a legislar para criar empregos para eles próprios.»
João Caiado Guerreiro, advogado, na TVI24

«human» de Dezembro




Edição de Dezembro de 2011 da revista «human», como habitualmente a edição «Premium». É a maior da história de três anos deste projecto, chegando às 160 páginas. O capital humano visto por 70 instituições de referência em Portugal.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A maior edição



Chegou finalmente ao escritório a edição «Premium» da revista «human». Como habitualmente, uma edição especial de final de ano, que em 2011 reúne perspectivas de 70 instituições de referência na área de recursos humanos em Portugal. Quase meio quilo de revista, sete milímetros de lombada e 160 páginas. É a maior edição da história da «human».

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tendências

Em Portugal em vez de se apostar em ministros topo de gama aposta-se em carros topo de gama para os ministros.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A simplicidade

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, acaba de apelar ao espírito cívico dos portugueses, por exemplo para que peçam facturas em todas as compras realizadas, compras a que chamou «actos simples», não sei se por experiência própria, se para ele qualquer compra é um acto simples (as que faz com o dinheiro do Estado provavelmente são mesmo simples, na óptica dele). Gostaria também de apelar ao espírito cívico do ministro e pedir-lhe que passe a usar um carro que custe no máximo trinta mil euros. E que exija prática igual a todos os ministros e secretários de Estado. E que um pouco por todo o Estado se faça uma actualização na mesma proporção (haverá quem tenha de passar a andar de utilitário e quem deixe inclusive de ter carro à borla, mas num país a viver de apoio financeiro externo não vejo que isso não seja razoável).

Uma proeza

O texto que coloco a seguir, assinado por um director de serviços de uma das direcções regionais de educação do país, foi ontem recebido numa escola (imagino que terá ido para muitas outras, mas tive conhecimento apenas de uma). Em termos de nível de português, consegue mesmo a proeza de bater o comunicado da assessoria (?) do ministro Pedro Mota Soares sobre o seu carro de 86 mil euros (disponível aqui).

Exmo./a Senhor/a Director/a

Na sequência da mensagem infra, cumpre informar que Por razões de natureza logística e dado que se torna necessário conhecer com antecedência o número de participantes no Encontro, pelo que solicitamos que os professores de Francês interessados em participar no Encontro procedam à sua inscrição através do seguinte endereço electrónico:

[aqui surgia o endereço]

Com os melhores cumprimentos

O Director de Serviços

[aqui surgia o nome do director]

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Hoje


Hoje ao fim da manhã, na Escola Secundária de Camões (antigo Liceu Camões), em Lisboa. Cerimónia de apresentação do livro «Ex Abrupto – Crónicas de Tempos Vagos», de António Souto (edição DebatEvolution, 2011). Na foto, Helena Vidinha Trindade (professora, directora do «Jornal de Angeja»), António Costa Valente (editor da DebatEvolution, professor da Universidade de Aveiro, realizador, produtor, director do Cineclube de Avanca ), eu, José Jorge Letria (escritor, presidente da SPA – Sociedade Portuguesa de Autores), João Jaime Pires (director da escola) e o autor do livro (que é professor na escola).

Foto: M. Cabeleira Gomes

Um muro invisível

Tenho uma relação especial com as crónicas do António Souto, por isso sempre insisti em publicá-las no meu blogue, desde os tempos em que saíam num jornal da sua terra. Nunca como agora houve tantos cronistas, pelo menos é isso que noto ao folhear muitos dos jornais e muitas das revistas que por cá se publicam, ou até a andar pelos blogues. Mas apesar desta fartura, nem sempre encontro o que ler; muitas vezes começo uma e outra crónica e aquilo que me aparece é um muro invisível logo por alturas das primeiras linhas. Não sei de que cor é, nem que altura tem, nem de que material é feito, mas vou lá bater de cada vez que tento a leitura. Um muro invisível, um muro duro, tanto que com o tempo habituei-me a só bater lá com a cabeça uma vez, a não insistir, para evitar males maiores. Nunca dei por esse muro nas crónicas do Miguel Sousa Tavares, tal como não dei nas que me apareceram assinadas por nomes como Pedro Mexia, Luis Sepúlveda, José Eduardo Agualusa, José Luís Peixoto, Clara Ferreira Alves, António Lobo Antunes, Maria Filomena Mónica ou Pedro Correia, neste último caso nos blogues. É o mesmo que acontece com as crónicas do António Souto, daí o gosto que tenho, a cada mês, em que sejam publicadas. Se calhar o problema é meu e não de nenhuma crónica, de nenhum autor. Se calhar os muros não existem nas crónicas, nem muros visíveis, nem muros invisíveis. Pode ser mesmo um problema meu, ou antes, um problema da minha imaginação. Começo a ler e penso em muros, e depois, logo na segunda ou na terceira linha, bato com a cabeça. E desisto. Mas nas crónicas do António Souto, como nas dos outros nomes que referi, não penso nisso. E avanço. Concentrado. Interessado. Até ao fim.

NOTA: Texto escrito para o livro «Ex Abrupto – Crónicas de Tempos Vagos», de António Souto (que escreve regularmente no «Floresta do Sul»). O livro foi apresentado hoje ao fim da manhã, na Escola Secundária de Camões (antigo Liceu Camões), em Lisboa. O texto vem na contracapa do livro, que tem edição da DebatEvolution.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Gozar com as pessoas


Não sei se o aluguer da «bomba», como chama o «Correio da Manhã» ao novo carro de luxo do ministro da Solidariedade Social, Pedro Mota Soares, foi uma herança do anterior governo (como Mota Soares se desculpa). Se foi, bem que o ministro podia ter tomado a decisão de o anular (algum poder de decisão deve ter um ministro). Mas não, limitou-se a ir levantar o carro ao stand (segundo conta outro jornal, creio que o «DN» – e eu que pensava que os ministros até para lhes ir levantar os carros tinham assessores…). E ao fazê-lo acabou por gozar com cada uma das pessoas que dia após dia neste país abdicam de muitas coisas de que não gostariam de abdicar – porque o dinheiro, quando não se tem acesso ao saco do Estado, que mesmo com a crise parece inesgotável, não chega para tudo.
Depois de uma coisa destas, Mota Soares devia ser imediatamente demitido. Certamente que não será cómodo para Pedro Passos Coelho telefonar-lhe a dizer que assim não dá para continuar. Mas podia telefonar a Paulo Portas para os dois acertarem a melhor maneira da fazer a substituição por alguém que revele um pouco mais de bom senso e um pouco menos de sentido de humor negro.
Quanto ao anterior secretário de Estado para quem o carro – ao que diz Mota Soares – terá sido encomendado (Carlos Zorrinho, líder parlamentar do PS), também seria bom que António José Seguro falasse com ele e lhe perguntasse se desperdícios como este são mesmo o que ele defende para a gestão dos dinheiros públicos. E se algum dia o PS vier sob a liderança de Seguro a ser chamado a formar governo (não imagino como, depois do que José Sócrates fez ao país), seria bom que a opinião de Zorrinho fosse tida em conta no momento da escolha do elenco governativo. Aliás, seria bom que fosse tida em conta já agora, para efeitos de continuar a ser ou não líder parlamentar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Um regresso



Fecho de mais uma edição da revista, logo no princípio da semana, e um fecho mais controlado do que o costume. Mas a chegada a casa praticamente de manhã, mesmo sem as quase habituais brigadas da GNR a fazerem paragem (normalmente apanho duas, uma em cada cidade que atravesso), o que dá sempre uns dez minutos cada. Nem foi isso, talvez por ser noite de segunda para terça e não mais próximo do fim-de-semana, daí estarem provavelmente todos a dormir, ou de greve, nunca se sabe. Mesmo assim a viagem demorou, sobretudo pela tempestade que me ia acompanhando pelo caminho. Quase a chegar, no entanto, já as coisas tinham melhorado e até a Lua reaparecia, ainda que timidamente, a formar uma espécie de sorriso no céu escuro. Mas depois, nos últimos quilómetros, há a estrada de terra no meio do montado. Conduzi devagar, não por causa do piso mas pelas correrias dos javalis àquela hora. De onde menos se espera pode sair um. Ou cinco. Ou dez. Cada vez parece haver mais javalis, não sei se por causa da crise e de alguma especificidade sua que faça com que se adaptem bem a estes tempos. São eles e os anormais da política (sobretudo os reformados logo na casa dos quarenta, ou até dos trinta, que agora parecem ser mais do que as mães). Com as lebres também é preciso atenção na última parte do percurso pelo montado. E com as ginetas e os escalavardos. Mas as luzes dos olhos normalmente denunciam-nos ao longe, enquanto com os javalis (que andam sempre de fuças no chão, a chafurdar – na prática como acontece na política), com os javalis é diferente. Mas enfim, lá acabei por chegar a casa. Estacionei na zona dos carros, ainda fora do monte. E de repente fui surpreendido por algo mole em que dei um pontapé. Pensei numa lebre, embora no escuro não visse mais do que o próprio escuro, sem um sinal que fosse das duas luzes dos olhos a brilhar. Mas não, não era uma lebre. Nem um dos gatos do monte, que esses sim às vezes aparecem a enroscar-se nas pernas. Instintivamente apanhei o que tinha pontapeado, no preciso momento em que começava uma música divertida. Ali no escuro, com as casas a aparecerem recortadas na claridade de uma das lâmpadas, eu segurava o volume de onde saía a música. E só com a luz do ecrã do telemóvel consegui perceber. Não era na cabeça redonda de uma lebre que eu segurava, nem na cabeça redonda de um gato. Era numa bola. Uma dos meus filhos, agora mais usada pela bebé (que em vez de «bola» ainda só diz «bó»). De certeza que a bebé a tinha largado ao princípio da noite, à chegada. Quando entrei em casa fui remexer as brasas que ainda resistiam na lareira. Ganharam de repente uma enorme vivacidade. E o calor instalou-se por ali. Deixei a bola por perto, a secar da chuva da noite.

António Souto – Crónica (42)


Sou até capaz de a trazer comigo pela mão e perder-me com ela pela baixa da cidade, este ano sem as luzinhas do costume e com as montras repletas de azedume no lugar de azevinho, e descermos ambos até ao Tejo e daí acenarmos ao Cristo Rei e implorar-lhe baixinho que lá de cima roube uma estrela e a lance aos espíritos cegos que nos dominam, para que lhes dê um pouco de luz e de discernimento.

Leopopotinices
Ainda hoje ela não tem a certeza do que aconteceu realmente naquela noite. A Leopoldina não é mulher para alimentar frivolidades, mas aquela noite ainda não lhe saiu completamente da ideia apesar de bem casada há mais de vinte anos e mãe de dois filhos varões que são uns amores de jovens, isto pelo menos é o que ela não se cansa de dizer sempre que a conversa, apesar de breve, roça a família, e eu acredito.
A princípio achei-lhe graça ao nome, tinha assim um não sei quê de misterioso que ia bem com a graça do corpo, um corpo de curvas nutridas, em equilíbrio perfeito, tudo sensual, tudo requerendo impressões digitais. Depois achei-lhe graça a toda ela e em três tempos aquilo evoluiu para o regalo do tapete e para o palrar de uma televisão tão abandonada como o periquito opalino da cozinha. A sala foi nessa circunstância um céu na terra. Leopoldina a única estrela polar. A noite, mágica. Um episódio.
A peripécia ficou por ali e a ausência foi longa. Até hoje. Hoje o dia em que ela achou não ter a certeza do que aconteceu naquela noite. Eu também não. Há noites assim. Mas uma coisa é a gente não ter a certeza do como, outra é a gente não se lembrar do quê. Bem entendido que não arrisquei confessar-lhe que durante estes últimos anos a rememorei regularmente quando, chegado Dezembro, me abastecia de natais num certo hipermercado. E que a comprei sempre com satisfação solidária só por lhe achar graça ao nome. A amizade não se esquece.
Mas este natal estou convencido de que o gesto não será o mesmo, e é bem possível que a ausência volva a ser longa e que aquele acaso celeste não suba mais à tona. Disto não falámos hoje. Também se calhar não nos encontraremos nos anos mais próximos, ou talvez só quando os seus dois filhos varões deixarem de ser uns amores, porque já então haverá netos, e as palavras, como diria o poeta, é possível que estejam já gastas de não terem tido uso.
Este natal, se me for fornecer dele a um certo hipermercado, o meu gesto solidário será agora para a Popota e não terei motivos para evocar mais ninguém, nem mesmo quem certa vez fez mágica uma noite e me criou incertezas.
(Começo a estar cansado de incertezas. Ou será que são as certezas que me cansam?) Sou até capaz de a trazer comigo pela mão e perder-me com ela pela baixa da cidade, este ano sem as luzinhas do costume e com as montras repletas de azedume no lugar de azevinho, e descermos ambos até ao Tejo e daí acenarmos ao Cristo Rei e implorar-lhe baixinho que lá de cima roube uma estrela e a lance aos espíritos cegos que nos dominam, para que lhes dê um pouco de luz e de discernimento. De certeza que a Popota não levará a mal o atrevimento.
E se levar, dá-lhe Popota, que este Natal é só diversão! Um episódio. A Leopoldina que o diga!

Crónica de Novembro de 2011 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28; 29; 30; 31; 32; 33; 34; 35; 36; 35; 37; 38; 39; 40; 41

domingo, 20 de novembro de 2011

Uma frase

«Já sabemos que o rapaz não tem grande capacidade.»
Pedro Marques Lopes, ontem à noite, na SIC Notícias, sobre o ministro Álvaro Santos Pereira

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ontem


Ontem ao fim da tarde. O dinossauro mais feroz do bolo.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Bem cedo


Évora, Praça do Giraldo, hoje bem cedo. Acompanhando as personagens.

domingo, 6 de novembro de 2011

Apresentação de «O Ouro dos Corcundas»


Quinta-feira ao princípio da noite. Um bocadinho atrasado, ainda fui a tempo de ouvir a intervenção do Paulo Moreiras, a explicar as peripécias que rodearam a escrita de «O Ouro dos Corcundas», que acabo de ler com enorme gosto. Uma intervenção onde também recordou de forma tocante como há já alguns anos, em 2002, na mesma livraria, apresentou o seu romance de estreia, o inesquecível «A Demanda de D. Fuas Bragatela», de que ainda tinha por esses dias conseguido mostrar um exemplar ao pai, pouco antes de este morrer.
Deixo aqui um bocadinho de «O Ouro dos Corcundas», cuja acção se passa no século XIX, ao tempo da guerra entre liberais e absolutistas:
«(...) Ao passar pelo pelourinho, na esquina de uma casa, saltou-lhe ao caminho, qual abantesma ou avejão, o Trombeta, todo finório, com o cabelo azeitado – para assim matar os piolhos e as lêndeas – e vestido como se fosse a um casamento.
– Ó assombração, que susto me pregaste – disse Miquelina, irritada com a aparição. – Que fazes aqui?
– Por onde andou a menina, que não lhe deito olho durante todo este tempo? – perguntou o labroste, com enxofrados modos, enquanto empacotava dois dedais de esturrinho nas ventas. (...)»
Regressei a casa já bem de noite. Conduzindo pelo escuro do montado, a certa altura quase deixava fugir o carro na estrada de terra, a caminho de um dos sobreiros, tudo por causa das correrias dos javalis, que pareciam felizes debaixo da chuvada. Ontem à noite eram apenas dois, mas dos grandes, bem grandes. Já no rádio do carro, outras correrias, sempre com os inevitáveis Papandreou, Duarte Lima e Isaltino. Acabei por mudar para a RFM.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Edição de Novembro da «human»

Nas bancas desde a passada sexta-feira. Ver aqui.

Domingo à tarde


Domingo à tarde. Arranjar as valas por aqui, por causa das chuvadas do Inverno. É um trabalho um bocado complicado, mas vale a pena. Como o trabalho na empresa, que tem alturas em que também é complicado, duro mesmo, especialmente os fechos de edições pela noite dentro, seja de que projecto for - dos nossos ou dos de clientes. Nessas alturas, pelos exemplos que vejo em Portugal, já tive momentos de me passar pela cabeça a ideia de que se tivesse, há muito tempo, ido roubar para a política levaria agora uma vida descansada. Procuro sempre afastar essa ideia com todas as minhas forças. Pela vergonha que seria, obviamente.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Primeiro dia de lareira

Aproveitar antes que também a cortem ou se lembrem de incluí-la no IVA.

sábado, 22 de outubro de 2011

António Souto – Crónica (41)

Por falar em apardalado, deixo-me levar nas asas do adjectivo para o quintal e para a quinta e para os campos próximos da minha infância onde, com uma atiradeira (uma fisga, para os putos da cidade), o meu irmão e eu caçávamos uns pardais-ladrões…


Em abono da verdade
Um dia destes, de regresso às crónicas de Lobo Antunes, deliciei-me com uma antiga, uma que levou em cima com o título «Crónica escrita depois de ter bebido dois copos de vinho tinto ao almoço». Uma crónica a valer e a condizer com a profusão do enredo, rio sinuoso que não avista nunca a foz, que a crónica tem destas alforrias.
(Convém sublinhar que me regalo sempre com as crónicas de Lobo Antunes, com as primeiras, mais de memórias, com as outras que a seguir são mais de noite nostálgica, com as mais recentes que vão aportando, fotográficas e precisas, e trazem dentro o verdadeiro «sentido íntimo das coisas». Enfim, com todas me contento.)
Mas com esta antiga muito em particular. Porque esta me fez exactamente pensar, pelo desvario, na insânia etilizada que nos invadiu neste treze de Outubro. O sol não cirandou, baixou literalmente ao horizonte e desapareceu, e com ele se sumiram os horizontes de quem ainda acreditava em milagres. Afinal de contas, um prodígio bem ao jeito de uma crónica de uma morte lenta que levará à agonia milhares ou milhões de criaturas, gente séria, cidadãos deste tempo e de tempos vindouros, que o flagelo veio para perdurar.
E há nisto ironia, num destempero que vem de longe, que atravessou séculos, justificou mitos e nos mantém bichos da terra suspensos numa chama toldada que só «a mão do vento» poderá erguer. Poderá?
Porque manda quem pode e obedece quem deve, e toda a gente sabe que é sempre o povo quem deve, o povo todo, não vale a pena o povo lamentar-se (nem lamentar-se o povo), nem esmorecer, nem deprimir, mas dar-se por feliz por ter um país em crise. Um país em crise que pode finalmente desobrigar-se de subsídios de férias e de subsídios de Natal, benefícios completamente desajustados de um calendário de doze meses. Se alguém quisesse que o ano civil tivesse catorze meses a sério teria inventado mais dois nomes a sério para os excedentes, o que não foi o caso. Sempre aprendemos em casa e na escola que o ano vai de Janeiro a Dezembro, e ponto final.
Só que quem pode parece não querer poder a valer, que isto no meu humilde entendimento ou se faz tudo a eito ou fica um travo na boca que arrelia. Bem sei que quem manda não precisa de sugestões alheias, mas não seria mais sensato acabar-se igualmente com as férias e o Natal? É que a fazer fé (e em questões de fé até nem somos maus) no ditado de que quem não tem dinheiro não tem vícios, de uma assentada se abatia mais dois coelhos, e com singeleza se limpava do mapa as férias, agora desnecessárias, e se mandava o Natal de Dezembro às urtigas. De resto, já quase ninguém dá valor às prendas avaras das lojas dos trezentos, isto por um lado, e por outro, que piada tem haver Natal sem iluminação nas ruas ou Natal com bolos-reis sem brinde?
É claro que o povo, o povo todo, é capaz de demorar algum tempo a habituar-se à ideia, e até é capaz de ficar um bocadinho apardalado, mas a crise também não tem pressa e as tristezas, como é público, nunca pagaram dívidas, muito menos as nossas.
Por falar em apardalado, deixo-me levar nas asas do adjectivo para o quintal e para a quinta e para os campos próximos da minha infância onde, com uma atiradeira (uma fisga, para os putos da cidade), o meu irmão e eu caçávamos uns pardais-ladrões que depois, com a cumplicidade da minha avó, assávamos na lareira ou fritávamos no fogão a gás em momentos de gula e de festa.
Saliente-se, em abono da verdade, que na altura não havia dois copos de vinho tinto a acompanhar. Como agora não há, que me mantenho abstémio, mas é como se.

Crónica de Outubro de 2011 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9,   10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28; 29; 30; 31; 32; 33; 34; 35; 3635; 3738;   39; 40.

Finalmente

Finalmente, uma frase de jeito do Jorge Jesus: «Os nossos políticos, se fossem treinadores, estavam pouco tempo a governar o país.»

domingo, 16 de outubro de 2011

Duas dúvidas

Estive fora hoje. Foi criado entretanto mais algum imposto? E a respeito de roubos, há novidades?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os javalis pequenos saíram à noite


Enquanto Pedro Passos Coelho anunciava mais medidas de austeridade, eu estava a trabalhar (mais umas duas horas e não a meia hora da treta que ele anunciou). Só o ouvi depois no carro, de regresso a casa. Foi poucos minutos a seguir a ter parado no meio do campo por causa dos javalis pequenos, que parece que escolheram esta noite para uma saída geral (tentei apanhar alguns com o telemóvel, mas não saiu grande coisa porque uma mão tinha de estar sempre no volante para direccionar a luzes). Depois, já mesmo a chegar, ainda dei com o texugo gordo do montado (que não via há meses), mas esse até ao telemóvel conseguiu escapar, correndo de forma atabalhoada e com as banhas aos saltos. E ao estacionar o carro, não sei por quê, liguei o rádio. Lá estava o tipo a anunciar as medidas, pesaroso. É melhor ser pesaroso do que ser mentiroso, acho eu. Nos primeiros anúncios, mal chegou ao governo, passou por mentiroso, depois do que tinha apregoado na campanha, onde até uma adolescente de uma escola teve a lata de enganar. Agora é diferente. Já não se trata de mentiras. Anunciou, está anunciado. Presume-se que não tinha feito promessas para 2012 ou para 2013, apenas para 2011. E portanto, agora, anunciou. Apareceu então pesaroso, apenas isso. Deve ter percebido que um primeiro-ministro não deve mentir, até deve ter percebido – arrisco – que qualquer pessoa não deve mentir. Fico agora a aguardar pelos novos modelos de carros que os membros do governo e outros parecidos vão passar a usar. Não creio que no estado em que o país se encontra possam continuar com Mercedes e BMWs de alta cilindrada, como os que hoje vi de um lado para o outro junto à Presidência do Conselho de Ministros. Certamente irão trocar por outros, e nalguns casos abolir o direito a carro. Os que mantiverem esse direito, espero que não usem mais do que utilitários. Um Fiat Punto para secretário de Estado, uma coisa um bocadinho acima para ministro. Não vai cair a ninguém nenhum parente na lama, quase de certeza. Se cair, enfim, que se levante.

sábado, 8 de outubro de 2011

Figura triste

Que figura mais triste fez ontem à tarde no Parlamento o ministro da Economia e de mais uma data de coisas, Álvaro Santos Pereira!... O antigo professor universitário mais parecia um aluno cábula a ter de repente de fazer um prova oral. Aonde ir buscar as respostas que devia dar?, parecia perguntar a si próprio, com um olhar assustado, nalguns momentos a caminho do pânico. A certa altura já me fazia tanta pena que desliguei a televisão.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O espião


Um espião, hoje, a meio da manhã, por aqui.

António Souto – Crónica (40)

Se ao menos, aproveitando as derradeiras réstias de sol, tivéssemos castanhas e as soubéssemos pilar para mais tarde dulcificarmos a ilusão de fortuna havida… Mas não cremos mais em nós nem em quem nos governa, de dentro como de fora, que a Europa continua jacente e sem mensagem, e os pessoas deste reino estão emudecidos.

Portugal a entristecer
Não sei se por ter partido José Niza, se por o seu passamento me ter trazido à memória uma vez mais Ary dos Santos, ou se por esta lembrança arrastar consigo a voz de Carlos do Carmo, dei comigo a cantarolar por dentro esta quadrinha-refrão: «Quem quer quentes e boas, quentinhas?/ A estalarem cinzentas, na brasa./ Quem quer quentes e boas, quentinhas?/ Quem compra leva mais calor pra casa.» Não sei. O que sei é que Setembro, que bem poderia ser o mês inaugural das costumeiras castanhas assadas, quando agora começa o tempo delas, será muito certamente o mês primeiro da austeridade a sério, o primeiro dos muitos meses de muitos ouriços e de poucos magustos.
Parece irónico que tenhamos de saber nos bolsos e nos palatos o verdadeiro valor e préstimo dos castanheiros. Num elogio que faz à árvore e ao fruto, ilustra Miguel Torga: «Assada, no S. Martinho, serve de lastro à prova do vinho novo. Cozida, no Janeiro glacial, aquece as mãos e a boca de pobres e ricos. Crua, engorda os porcos, com a vossa licença…».
E o S. Martinho, que não tarda está aí, vai ter de andar doravante por perto com a sua capa solidária para nos proteger do frio que vem para durar pelas estações adiante. E por muito que a parta e reparta, será sempre pouca para agasalhar os défices e as misérias da nossa circunstância. A lenda, como a boa ficção, acaba por superar esta nova realidade de agora, mais que o fogo-fátuo do Portugal pessoano a entristecer.
Se ao menos, aproveitando as derradeiras réstias de sol, tivéssemos castanhas e as soubéssemos pilar para mais tarde dulcificarmos a ilusão de fortuna havida… Mas não cremos mais em nós nem em quem nos governa, de dentro como de fora, que a Europa continua jacente e sem mensagem, e os pessoas deste reino estão emudecidos.
Abranda a economia, quebranta o investimento, adensa o desemprego, encolhem os salários, declina o poder de compra, afrouxa o consumo, abranda a economia, quebranta o investimento, adensa o desemprego, encolhe, declina e afrouxa tudo, só não afrouxa o eufemismo de quem vê poesia nas migalhas deixadas em fim de festa sobre a toalha de ninguém.
As migalhas que restam para os meninos de amanhã, e depois, ah!, Manuel da Fonseca, «Depois quando/ com o tempo/ a criança/ vem crescendo/ vai a esperança/ minguando./ E ao acabar-se de vez/ fica a exacta medida/ da vida/ de um português.».
Não que seja o mal apenas nosso, mas bem podemos nós com o mal alheio, e o nosso mal é também e sobretudo culpa nossa, que atirámos castanhas aos porcos, como pérolas, e os engordámos a tal ponto que desmesurados se cevaram igualmente de nós. E na caruma do magusto assamos em turba toldados de ouriços pelos Outonos adentro.
Pessimista, eu? Não, só como no «Só» de António Nobre: «Amigos,/ Que desgraça nascer em Portugal!»…

Crónica de Setembro de 2011 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28; 29; 30; 31; 32; 33; 34; 35; 36; 35; 37; 38; 39.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

Os almoços para a internacionalização


«Incluiu vários almoços de trabalho, muito apreciados.»

Excerto do relatório sobre internacionalização da economia portuguesa, encomendado pelo Governo a uma equipa coordenada pelo economista Jorge Braga de Macedo - na parte em que se refere às instalações que usaram para as reuniões de preparação do documento (citado pelo «Expresso»)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Gostei


Gostei de ouvir ontem à tarde Pedro Passos Coelho dizer no Parlamento que da última vez que aí tinha estado, afinal, tinha falado de mais – a propósito da dívida da Madeira e do respectivo plano de recuperação, ou lá como vai ser chamado. Teve a humildade (e a «frontalidade», palavra sua) de assumir um erro. Está a aprender. Agiu de forma diferente da do dia em que no mesmo sítio anunciou a imposto extraordinário de 50% sobre o subsídio de Natal. Nessa altura, se a medida era inevitável (como as coisas estão, e com a falta de informação que temos, admito que era, mas certezas nem me atrevo a ter sobre o assunto), se era inevitável, ia eu dizendo, pedia desculpa por tudo o que tinha andado a apregoar na campanha eleitoral, com o cúmulo daquela cena lamentável numa escola de Vila Franca de Xira, e depois de pedir desculpa fazia o anúncio. Mas não. Comportou-se então como um vulgar mentiroso. Por isso, agora, gostei da atitude. Demonstra que tem capacidade para aprender com os próprios erros, coisa que, como se sabe, não está ao alcance de toda a gente.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

Rima tripla

Nas contas públicas, o desvio colossal era afinal era um desvio no Funchal.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Político e mentiroso

Tirado de um artigo que estou a editar: «Não têm que ser sinónimos: 'político' e 'mentiroso'; mas é um facto que a maioria das pessoas que nos têm governado é mentirosa.»

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sesta de sábado

Lembrei-me do primeiro-ministro

«– Hoje mente-se a sorrir. Antigamente, como dizia o Guerra Junqueiro, mentia-se com o coração nas mãos. Era mais comovente. Mentia-se, mas as pessoas ainda acreditavam. Ainda havia dignidade na mentira. Hoje a mentira é um valor. Compra-se e vende-se. Acha que sou um pessimista? É porque sou português.»
Excerto de «Ela Cantava Fados» (páginas 108 e 109), de Fernando Sobral – edição Quetzal, 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

A namorada

A este, cá para mim, o Carvalho da Silva roubou alguma namorada quando andavam na escola.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Fiquei na dúvida

Reunião numa das escolas dos meus filhos, a deixar-me a pensar no estado, ou Estado, a que chegámos. O que vale é a boa vontade de professores, auxiliares, pais e inclusive pessoas das autarquias. Tinha uma excelente impressão do ministro Nuno Crato, do que lia dos seus escritos e de ouvi-lo falar. Construí essa excelente impressão ao longo dos anos. Mas depois daquilo a que assisti fiquei na dúvida sobre se não será, afinal, um gestor inepto ou até, o que é pior, um mandrião. Não se trata apenas de cortar em tudo e mais alguma coisa, não, é algo bem diferente, é deixar a maior parte das situações por resolver ou inclusive criar problemas onde não se esperava que existissem. E outra coisa que me surpreendeu, aquilo que se diz frequentemente de muitos desempregados não quererem trabalhar, apesar das propostas que recebem através do Instituto de Emprego: o próprio instituto dificulta a colocação das pessoas, nalguns casos apoiado em legislação completamente idiota, e aqui o problema não é o dinheiro, obviamente. De qualquer forma, a falta de dinheiro é algo que não devemos esquecer, porque no país ele falta mesmo e se calhar no futuro ainda faltará mais. Qualquer dia, quem sabe, ainda teremos de considerar deixar de pagar a reforma ao Marques Mendes, adiando-a para bem depois de 2020, quando o homem tiver chegado aos 65 anos. E como a ele a tantos outros, de diversos partidos, velhos precoces na casa dos 50 ou nalguns casos nem nessa, ainda na dos 40. Não sei se os especialistas em demografia conseguem explicar isto; na volta conseguem e eu é que tenho andado desatento.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Haja esperança

Nem todos os serviços nacionais de saúde estão na falência. Veja-se por exemplo este, referido no «Estatuto Remuneratório e outros Direitos dos Deputados»: «Relativamente a cuidados de saúde, a Assembleia da República dispõe de um Gabinete Médico e de Enfermagem, ao qual compete prestar cuidados médicos e de enfermagem gerais ou de emergência aos deputados e pessoal da Assembleia da República. Assim, no decorrer das sessões plenárias há um médico em permanência no Gabinete. Nos restantes dias, os médicos prestam consultas em horários específicos e a prestação de cuidados de enfermagem é assegurada todos os dias durante as horas de expediente./ O Parlamento dispõe, também, de um seguro de grupo para todos os deputados, que inclui um seguro de saúde.»

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Entrevista no Irão

Esta noite, em directo.
Pergunta da jornalista da RTP Márcia Rodrigues: «Qual a sua opinião sobre o apedrejamento?»
Começo da resposta de Marmud Armadinejad, presidente do país: «Faz alguma diferença a forma como se mata as pessoas?»

Questionar o presente e o futuro

«Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?»
Pedro Passos Coelho, na sua conta do «Twitter», antes de chegar a primeiro-ministro

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Palavras para quê?

À mesma hora


Com o telemóvel a tremer, numa pista algures no Alentejo, esta noite. À mesma hora em que na televisão, presumo, havia quem discutisse os impostos, as falsas promessas, os sonsos, as mentiras, o 25 de Abril da economia, as idas para a rua, o desleixo, as facturas que afinal foram pagas, os espiões, as ligações brasileiras, os aventais, a Madeira, a insensibilidade, um olhar vesgo e impassível, as troikas, os bancos, as baldroikas, os cortes, os tachos e até, entre tantas outras coisas, como não poderia deixar de ser numa segunda-feira à noite, o futebol.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Por e-mail


Em vez de conferências de imprensa, o ministro das finanças, Vítor Gaspar, devia limitar-se a mandar para a comunicação social um e-mail com as medidas acabadas de decidir (enfim, com as intenções mais ou menos genéricas, pois medidas concretas parece difícil…). Já sei que cada pessoa tem a sua própria maneira de falar, mas a dele desmotiva qualquer país. Podia falar da descida do IVA para cinco por cento que ia soar ao mesmo que os anúncios de ontem.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Na barragem


Um destes dias, por aqui (vista a partir do meio da barragem).

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Uma recomendação


Bom, recomendo vivamente a leitura deste longo romance publicado on-line. Intriga, mistério, revelações surpreendentes, personagens inesquecíveis (o senhor Montado, a enigmática Camila – «Já encontrou o seu Carlos, Camila?» –, o homem que grita, o Eng. Kadhafi, o anónimo, o Prof. Doutor Kim Jong-il, a Isabel Luísa – que aderiu ao novo acordo ortográfico, «Voçê precisa de andar um bocadinho mais pelo Mundo real…» –, entre tantas outras. Para além do Pedro, obviamente).

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

António Souto – Crónica (39)


Sol, portanto, e muita água convidativa. Muita praia e muita piscina. Muito vagar e muita animação. Porém uma água nem sempre muito transparente como soía, nem sempre uma animação variada e distinta, nem sempre uma restauração com honestidade sazonal. Um verdadeiro allgarve à portuguesa!

Férias que tanto sim como não

Estas férias estão a ser umas férias assim a puxar para o «discordantes». Estão a ser, porque ainda restam uns dias para o fim delas, só que lhes está faltando aquele gozo próprio que habitualmente as caracteriza, ou me está faltando a mim esse deleite, uma insatisfação que arrasto coincidente com o clima bipolar que nos assola.
Passei por Aveiro, melhor, um pé breve em Angeja, que é mais minha, outro na Barra, coladinha à Costa Nova, ambas mais de Alice Vieira, que amiúde as imprime, e rumei depois para o sul, para próximo da Loulé de Lídia Jorge, com poiso em Quarteira.
Dos chuviscos do norte aos salpicos do sul em pleno Agosto. Em todo o caso, calor suficiente para fazer vermelhos os lácteos corpos, muito menos que em anos anteriores, os corpos, pelo Algarve que vi. A maior parte era gente nossa, com pose e sotaque morcão, sinais da crise que para ali a mandou aos magotes vindos de dentro e de fora, de uma diáspora próxima.
Sol, portanto, e muita água convidativa. Muita praia e muita piscina. Muito vagar e muita animação. Porém uma água nem sempre muito transparente como soía, nem sempre uma animação variada e distinta, nem sempre uma restauração com honestidade sazonal. Um verdadeiro allgarve à portuguesa!
Num dos dias, para fugir à rotina, a experiência da Nacional 125. Rente a Albufeira e a Boliqueime, trânsito doutrinado, paragem no centro de Pêra, ao engano, e logo em Algoz, a norte da via, para visitar a nona edição do «FIESA 2011», as badaladas construções de areia este ano sob o lema «Animalândia». Quatro entradas, em regime familiar, e lá se foram vinte e cinco euros para o reino dos animais, alguns já esboroados por mor do tempo, em questão de hora e meia.
Dali, com desvio certeiro, para Silves. A Feira Medieval encerrara nas vésperas. O castelo, no entanto, estava à vista, sobranceiro ao rio, mas não entrámos nele, sequer subimos o empedrado renovado. Tardava o almoço, o calor apertava, a cidade domingueira estava deserta, fantasmagórica, só uma loja chinesa marcava o ponto às quatro da tarde, e ainda um restaurante, hospitaleiro, fazendo questão de franquear as portas por escassez de clientela.
Pela frescura da Nacional 124, fica para trás a barragem assinalada de Odelouca, não visitada, como o castelo da cidade árabe, por falta de tempo e de querença.
Portimão adivinha-se. Acolhe. Prende-nos a zona ribeirinha e a vastidão do estuário. A praia da Rocha não muito distante, mas ficou adiada também, como adiado ficou, por rematado, o Festival da Sardinha.
De novo pela Nacional 125, em viagem de sol-pôr. O tráfego favorável, nada de reveses, nada de congestionamentos. O Zoomarine e o Aquashow desfizeram-se das filas, já não corre água nos escorregas. A Quarteira entrou no turno da noite e a movida deslocou-se para o calçadão.
Isto foi num dos dias. Nos demais, a rotina.
Ah, mas houve outra, a boa rotina das crónicas de Lobo Antunes cujo Segundo Livro delas aviei espreguiçado junto à piscina antes de meter no bolso o ar da praia.
«Normalmente é no terceiro minuto a partir do crepúsculo que o ar da praia é mais frio do que a água. Não no segundo nem no quarto: no terceiro e durante onze segundos, o que requer discernimento, atenção e paciência. O melhor é encostarmo-nos à muralha, de queixo na palma, vigiar as gaivotas, dar fé da mudança de cor no horizonte e nisto, mal o terceiro minuto começa, tira-se a palma do queixo para que o ar poise nela e aí está: pega-se no ar da praia, mete-se logo no bolso e leva-se para casa sem deixar entornar. Tem de utilizar-se logo visto que no dia seguinte, a partir das dez, já o ar aqueceu.»
E enquanto não acabam as férias, guardo o ar salgado que trouxe e atenuo a vacilante insatisfação com o gozo das palavras que vierem, concordantes.

Crónica de Agosto de 2011 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28; 29; 30; 31; 32; 33; 34; 35; 3635; 37;  38.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Um livro, aqui


«Os Golos de Jardel Nunca Foram Imortalizados numa Canção» - Este livro de histórias pode ser lido na íntegra neste blog. Basta clicar no separador «Histórias de futebol», em cima.

sábado, 13 de agosto de 2011

Gente desta...

O ministro das finanças anunciou a subida do IVA da electricidade e do gás natural de seis para 23%. Quanto ao gás, devo dizer que aqui só dá mesmo gás de garrafa, que já tinha o IVA a 23%. Espero que agora esse sujeito com ar estranho não se lembre de no caso do gás de garrafa levar o IVA até aos 40%. Espero, apenas, certezas não posso ter, porque de gente desta tudo já é de esperar. Menos que cortem nas despesas com as suas próprias mordomias. A presidente da assembleia da nossa (?) república acaba de contratar mais um motorista (eram oito, agora são nove). Mais uns dois mil euros por mês a juntar ao défice.

Canções Inesquecíveis – 5

Canções anteriores: 1, 2, 3, 4.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Apenas mais um tópico

O governo divulga na Internet, aqui, as nomeações que tem vindo a fazer. No tempo de José Sócrates o importante parecia ser esconder as nomeações, enquanto agora temos toda esta «transparência» a que me parece que falta algo essencial: além do cargo, do nome, da idade, do vencimento mensal bruto, da data de nomeação e do contacto, devia ser incluído um tópico – «O que é que faz concretamente» – bem mais importante. Isto para não pedir um tópico mais ambicioso, em forma de pergunta e à frente do qual seria colocado um S (sim) ou um N (não): «A nomeação justifica-se ou trata-se apenas da história do costume?» Reconheço que seria pedir muito.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Jurassic house

A trabalhar na mesa grande da cozinha, onde os meus filhos há pouco estiveram a brincar. Uns combates de dinossauros em que um gormiti e um cavalinho da Kitty, não cheguei a perceber como, também conseguiram entrar (e no fim sair, o que ainda me pareceu mais estranho). Agora, enquanto edito alguns dos textos de uma das revistas («… a questão que começava a tornar-se inquietante, para os puristas das teorias mais elitistas sobre a inteligência…» ou «… o delírio da dominação do financeiro sobre a economia real acabou por mostrar a que ponto é ilusória a pretendida auto-regulação dos mercados…»), vejo um saltassauro (herbívoro) a passar por um terrível suchomimus (que nos últimos tempos me habituei a tratar por sucomekis). Se olhar para o outro lado, vejo muitos mais, umas dezenas, sendo que à frente estão um rex, um parassaurolofo e um dimetrodon, além do cavalinho da Kitty, que é todo de se mostrar. Tenho de procurar um pouco para encontrar um dinossauro que sempre foi o meu preferido, o estegossauro. Mas ele está por aqui (ou antes, eles estão por aqui, pois há pelo menos uns três). Lembro-me de que quando tinha dez ou onze anos fiz um em madeira, na velha cadeira de trabalhos oficinais, e isso deu no terceiro período para subir a nota para cinco. Eu já gostava desse dinossauro, que tinha conhecido, como alguns outros, nos autocolantes dos Kalkitos, mas depois do trabalho do colégio de Monchique ainda fiquei a gostar mais. Foi o único dinossauro que tive, pintado em tons erverdeados e com os espigões bem salientes nas costas. Mesmo com os Kalkitos, não fazia a mínima ideia do que era um suchomimus, um saurophaganax ou um T-rex negro. Mas já conhecia o T-rex digamos assim normal, o anquilossauro e o iguanodonte, por exemplo. Agora, passados trinta anos, há de tudo um pouco cá por casa. Até um estranho aparelho chamado dinoportador em que se mete uns cartões com os respectivos dinossauros desenhados e depois… Bom, depois é o salve-se quem puder.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Um novo futuro

Miguel Relvas, em declarações feitas hoje à comunicação social, falou de um plano que deverá estar pronto até 15 de Setembro de forma a permitir abordar com optimismo o «futuro recente» do Grupo RTP. Entretanto, em edições on-line de jornais, já vi que lhe mudaram na transcrição das declarações este novo futuro para «futuro mais próximo» (imagino que para a frente).

domingo, 7 de agosto de 2011

Maria Lúcia Lepecki (1940-2011)

Encontrámo-nos apenas uma vez, em Montemor-o-Novo, num evento onde ela ia falar sobre José Cardoso Pires e eu ler uma história para crianças. Eu conhecia o seu nome de há muitos anos e tinha por ela uma enorme admiração. Ela presumo que nem sabia quem eu era. Tinha a máquina fotográfica comigo e acabei por fotografá-la quando ela estava a falar sobre o autor de «A Balada da Praia dos Cães», ao lado de uma das filhas deste. A fotografia (primeira) não ficou lá muito boa. No fim da palestra, ela veio ter comigo com uma senhora da zona, uma amiga de muitos anos que então reencontrava. A amiga tinha ido de propósito ouvi-la, ela tinha referido isso na palestra, assim como as circunstâncias do encontro, único, algumas décadas antes. Pediu-me para tirar uma fotografia das duas e deu-me o endereço de e-mail para lha enviar. Tirei a fotografia (segunda), a medo, pensando que se calhar ficaria como a da palestra. Mas não ficou. Uma questão de sorte.

Ver mais sobre Maria Lúcia Lepecki aqui.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O hotel

«Nunca o Estado precisou tanto de gente competente para fazer o que é preciso. Mas nunca a Administração Pública esteve tão fraca, porque enfraquecida, como hoje. O Estado tornou-se um hotel com uma porta giratória por onde entram e saem os chefes futuros e passados. Quando entram, dormem nas suites. Só os funcionários que os servem não mudam, na cozinha ou na lavandaria. Mas é a eles que fazem a cama.»
Pedro Santos Guerreiro, no «Jornal de Negócios»

Revista «human» de Agosto

Nas bancas desde o passado fim-de-semana. Em destaque, na secção «Responsabilidade Social», um trabalho sobre a Fundação Luís Figo.

sábado, 30 de julho de 2011

António Souto – Crónica (38)


É aqui, neste nosso desvão, que a agonia nos bate à porta. E nós abrindo-a, para já um bocadinho só, contrariados, mas logo que sejam passadas as férias, não haverá músculo que a mantenha intransponível. Com as carreiras congeladas e os salários um tanto diminuídos, o pessoal ainda vai achando quase normal dar uma mãozinha, mas quando as bilheteiras reclamarem aumento, e os bens de consumo mais essenciais se tornarem ainda mais essenciais, e o Natal se adivinhar menos feliz, e a saúde menos saúde, e a crise mais crise e mais perdurável, aí é que a porca vai torcer o rabo.

Troikas e baldroikas
Ultimamente tem morrido muita gente. A cada ano que passa fico sempre com a estranha sensação de que morre mais gente, de que se morre mais. Está bem, há defuntos que não me dizem nada e outros que me dizem muito pouco, e com esses não me preocupo, mas a cisma maior é com aqueles por quem nutria alguma consideração, particularmente com aqueles por quem tinha alguma ou muita estima, afeição e amizade, que com estes a tumba brada mais forte, atinge-nos o imo.
Depois acabo fatalmente por concluir que a morte dos outros está na razão directa do meu avelhentar, o que na embocadura dos cinquenta aflige qualquer espírito inconformado.
Agora que está dado o tom, a fugir para o derrubado, podemos saltar solidariamente para aquilo que efectivamente aflige a nossa comunidadezinha de Vila Real do norte a Vila Real do sul, agora e sobretudo aqui (se bem que o próprio universo, que é coisa maior, a continuar este descalabro sistémico, não tarda nada está de rastos e com os pólos invertidos).
Porque é aqui, neste nosso desvão, que a agonia nos bate à porta. E nós abrindo-a, para já um bocadinho só, contrariados, mas logo que sejam passadas as férias, não haverá músculo que a mantenha intransponível. Com as carreiras congeladas e os salários um tanto diminuídos, o pessoal ainda vai achando quase normal dar uma mãozinha, mas quando as bilheteiras reclamarem aumento, e os bens de consumo mais essenciais se tornarem ainda mais essenciais, e o Natal se adivinhar menos feliz, e a saúde menos saúde, e a crise mais crise e mais perdurável, aí é que a porca vai torcer o rabo.
Aí é que os navegadores à deriva de hoje (desempregados «depois de estar a Índia descoberta») vão perceber que a gente não tem mesmo emenda. Pelos vistos, nunca tivemos. Nem mesmo quando fomos grandes, quanto mais agora… E não se diga que não houve em todos os tempos quem, visionariamente, avisasse a tripulação.
Eça, sempre Eça.

«Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.» («Farpas»)

«Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: – mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não – pelo menos o Estado não tem: – e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior – e sem cura.» («Correspondência»)

«Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações./ A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.» («Distrito de Évora»)

«A única crítica é a gargalhada! Nós bem o sabemos: a gargalhada nem é um raciocínio, nem um sentimento; não cria nada, destrói tudo, não responde por coisa alguma. E no entanto é o único comentário do mundo político em Portugal. Um Governo decreta? gargalhada. Reprime? gargalhada. Cai? gargalhada. E sempre esta política, liberal ou opressiva, terá em redor dela, sobre ela, envolvendo-a como a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, e cruel – a gargalhada! Política querida, sê o que quiseres, toma todas as atitudes, pensa, ensina, discute, oprime – nós riremos. A tua atmosfera é de chalaça.» («Uma Campanha Alegre»)

As citações são longas, como longas foram as advertências. Só assim se ajuízam as troikas e baldroikas da nossa sina, deste país, destes políticos e, parodiando com graça Branca Flor, que Deus a tenha, das coisas «que eles inventam»!...
Como na morte dos outros, em mim o mal é mesmo capaz de estar na casa dos cinquenta.
Gargalhemos, por isso, enquanto é dia!
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Crónica de Julho de 2011 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17,18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28; 29; 30; 31; 32; 33; 34; 35; 36; 35; 37.