quinta-feira, 30 de abril de 2009

António Souto – Crónica (11)

Décima primeira crónica de António Souto, depois desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta e desta. O António mantém uma crónica («Ex-abrupto») no jornal da sua terra («Jornal D’Angeja»). Esta é a da edição de Abril de 2009.
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Estados de alma
Sábado. Véspera de domingo de Páscoa. Fiquei de me encontrar com um amigo, ex-colega de faculdade, professor na Universidade de Évora e escritor. Foi precisamente para me oferecer um livro seu de poesia, recém-lançado, que nos achámos em Lisboa, a meio da tarde, ali no Largo da Graça, com a memória de Natália Correia ao lado e o castelo à vista.
Sentámo-nos na esplanada, apesar da brisa fria, para um café e uma troca de coscuvilhices nossas. As minhas filhas (que a família foi inteira), para entreter, pediram um pastel de nata e umas batatas fritas. Sobre a mesa, a dada altura, chávenas vazias, uma garrafa de água, quatro livros de dádiva e um prato com migalhas. E nós à roda dela, da mesa, discorrendo.
Inesperadamente, e em voo picado, um pardalito atrevido (espécie de pardal-ladrão) amesou, patas na borda do prato, e vá de debicar as sobras, todo ele vagar, como se estivesse entre os seus, regalando-se. A um movimento nosso abriu asas e afastou-se com ar de quem regressa pronto. E retornou, com o mesmo à-vontade de antes, estava já o telemóvel armado para a foto. E mais uns pedacinhos agridoces, com avidez. Disparei. Assustou-se o matreiro e, num ápice, avesso a retratos, desapareceu por entre a folhagem das árvores que nos sombreavam, sem agradecer o festim.
Tenho para mim que ainda por lá anda, feito amigo, comungando das iguarias e dos trinados alheios, como num campo farto de mantimento. A cidade tem destas coisas!
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Surpresa! Em tempo de crise ainda há boas e reconfortantes surpresas. Clarifiquemos. Depois de mais de dois meses de ausência forçada, por razões de doença, regressei às aulas. Ouvi rumores de que os alunos, no geral (e ao contrário do que deles quase sempre cremos), perguntavam pela minha saúde, me desejavam as melhoras e me aguardavam com impaciência. É verdade que uns quantos, em jeito de delegação, me chegaram a visitar no hospital, mas daí a não estarem desejosos de umas férias prolongadas…
Pois bem, regressado, foi de facto o reencontro caloroso e afável. Uma turma tomou mesmo a iniciativa de, a meio de uma aula, me oferecer um ramo de lírios (tão bonitos como o próprio gesto). Uma aluna fez questão de justificar esta simbólica opção – segundo ela, estas flores têm a particularidade de florescer uma segunda vez. E quem sou eu para duvidar de uma metáfora?! Agradeci, sensibilizado, e tornei-me no momento um professor menos descrente…
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Sábado. Vinte e cinco de Abril. Assisti em casa às celebrações oficiais, sobretudo às que encheram a sala e as galerias do hemiciclo em S. Bento salpicadas de vermelho. Ouvi os discursos, uns mais ressequidos do que outros, uns mais inflamados do que outros, uns mais ajaezados do que outros, uns mais do que os outros, e em todos me pareceu ecoar um antanho quadro realista queirosiano. Não saí hoje à Avenida da Liberdade, mas estive lá, em liberdade, com a turba. Escolhi desoprimir-me na poesia, embebendo-me em versos como em cravos. Festejei à minha maneira.
Joaquim Pessoa acompanhou-me, em hinos de amor, de «Amor Combate» – «(…) Deixa-me soltar estas palavras amarradas/ para escrever com sangue o nome que inventei./ Romper. Ganhar a voz duma assentada./ Dizer de ti as coisas que eu não sei./ Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada./ Amor-verdade. Amor-cidade./ Amor-combate. Amor-abril./ Este amor de liberdade.»
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

O analfabeto

À porta

Apareceu na manhã de domingo aqui à porta de casa e eu fui logo mostrá-la aos meus filhos. Havia meses que não a via, a nave espacial do imperador Ming (Ming the Merciless). Como habitualmente, o maléfico imperador nem se dignou a sair. Perto da hora do almoço abalou, quase de certeza para mais uma viagem inter-galáctica.
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O jogo de Sábado

Não deu para ver mais do que cinco minutos do jogo de Sábado – Sporting 2 (Hélder Postiga, Liedson), Estrela da Amadora 1. Mesmo assim ainda assisti ao susto dos últimos instantes, o do desajeitado toque de calcanhar de Vidigal que poderia ter dado o empate, injusto. Nesse lance feliz para o Sporting ficou bem à vista a debilidade de Rui Patrício (devíamos obviamente ter um guarda-redes muito melhor) e o tradicional desvario de Caneira, tão tradicional como a sua falta de jeito para o futebol.
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domingo, 26 de abril de 2009

Por incrível que possa parecer…

Por incrível que possa parecer, em Portugal, em 2009, há quem faça homenagens a criminosos.
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O meu dia 25 de Abril

Todo o dia 25 de Abril sem ter possibilidade de ligar o computador (apesar de tê-lo na mala do carro, com ligação à Internet e tudo). Só agora escrevo, já em casa. Com o dia 26 quase com meia-hora, deixo aqui a ligação para o relato do meu dia 25 de Abril, não o de 2009 mas o de há 35 anos.
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sexta-feira, 24 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia Mundial do Livro

Quase a acabar o Dia Mundial do Livro. Estive há pouco na Fnac do Colombo, em Lisboa, na Maratona de Leitura que por lá organizaram. Não fiz uma maratona a ler, obviamente, fiz apenas dez minutos, o suficiente para ler às pessoas presentes um belíssimo conto do José Eduardo Agualusa (um conto chamado «Dos perigos do riso», que abre o livro «Fronteiras Perdidas»). Levei também este meu romance, e como depois do conto ainda faltavam dois minutos para passar o testemunho (ao pedopsiquiatra Pedro Strecht) li este bocadinho.
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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Revista «human» de Maio

(clicar na imagem para aumentar)
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Nas bancas a partir da próxima sexta-feira, dia 24. Mais informações sobre a edição aqui, também a partir da próxima sexta-feira. Deixo a seguir os destaques que escolhi para o texto do tema de capa:
- Para Amândio da Fonseca, Carlos Queiroz «é seguramente um homem intelectual e moralmente honesto, um técnico competente», mas «sobretudo é – ele mesmo, como todos nós – vítima de um casting imperfeito e de um recrutamento incompetente».
- Arménio Rego deixa uma pergunta: «Algum de nós imagina o guarda-redes Ricardo, na presença de Carlos Queiroz, a tirar as luvas antes de defender uma grande penalidade?»
- «A liderança de Carlos Queiroz demonstra ser mais eficaz com jogadores jovens, em início de carreira, conseguindo orientá-los no sentido da potenciação das suas capacidades», defende Paula Campos.
- «A Queiroz cola-se a imagem do professor, tão malquista na sociedade portuguesa, em particular nos meios sociais menos elevados, como é o caso do futebol», diz José Coelho Martins. «A ideia é a de que o professor existe para ser desrespeitado e contestado. Já o sargento é para respeitar e dele ter receio, caso contrário alguma pena será aplicada.»
- «São pessoas com um estilo comportamental muito distinto», assinala Mário Henriques. «Scolari é um líder brilho-no-olho. Queiroz é uma pessoa mais orientada para a tarefa.»
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Mais um bocadinho...

Mais um bocadinho do que aqui aconteceu comigo.
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Um barco cheio de romanos aproximava-se do molhe. E eu no carro a ver, e de repente as poucas pessoas que andavam por ali ao calor a perceberem também o que chegava, e a agitarem-se. Teria o indecente programa «Allgarve» alguma coisa a ver com aquilo? Eu já com uma explicação, a de uma animação turística… Mas com romanos? E as pessoas a agitarem-se. Seria, afinal, outra coisa? E por que é que as pessoas teriam medo? Faria isso parte da própria encenação?
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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Com o monte de livros

Só há dias me chegou uma foto disto. Eu com o monte de 25 livros de que falei numa escola de Faro.
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(Escola Secundária de Pinheiro e Rosa,
«Os livros da minha vida», 26.03.09)
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O sonho...

«O sonho dos escritores jovens»; é o título do texto que publiquei aqui.
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A vitória em Guimarães

Já devia ter posto aqui alguma coisa sobre o Guimarães 1, Sporting 2 (Derlei, Liedson), mas só agora é que consigo. Umas notas apenas…
- Ao contrário do que aconteceu noutros jogos, a equipa mostrou uma grande capacidade, não apenas de luta, também de jogar futebol.
- Os receios de estarem algumas vedetas indisponíveis não tinham fundamento; aliás, não sei o que poderia ter acontecido, por exemplo, se tivesse jogado o pacato Rochemback, uma espécie de sul-americano tranquilo.
- A reacção do Sporting na parte final teve muito a ver (ou «a haver», como agora parece ser moda dizer) com a entrada de Ronny, que julgo deve ter sido ideia do treinador-adjunto (Paulo Bento teria metido certamente Rodrigo Tiuí).
- Ou seja, a expulsão de Paulo Bento terá sido boa para o Sporting.
- Paulo Bento foi malcriado e um bocado arruaceiro, como já parece ser um hábito, mas deve reconhecer-se que é o único que dá a cara pelo Sporting, além de que tinha muitas razões de queixa do árbitro (sobretudo pelo golo anulado).
- O árbitro é nitidamente incompetente (é um facto conhecido há já alguns anos), mas pode não ter sido apenas isso; no golo anulado ao Sporting (de Daniel Carriço) continuou a correr mesmo depois do lance que acabou por assinalar como faltoso, ou seja, só passados alguns segundos é que se lembrou de mudar tudo, precisamente na altura em que viu a bola dentro da baliza e o Sporting a ganhar.
- Mesmo havendo cada vez mas crimes em Portugal, que deixam a Polícia Judiciária com mais trabalho, a arbitragem de Bruno Paixão devia ser investigada por uma equipa de agentes que investigasse ao mesmo tempo a de Olegário Benquerença em Coimbra (num jogo que o Porto acabou por ganhar nas calmas mas que poderia não ter conseguido ganhar com uma arbitragem com decisões correctas).
- Para acabar, queria dizer qualquer coisa dos dirigentes do Sporting, mas assim de repente não me lembro de nenhum de jeito que o clube tenha actualmente.
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sábado, 18 de abril de 2009

Nas pedras

O Lito dorme nas pedras, enquanto lá atrás voa o pássaro maluco.
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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Aconteceu comigo

Isto aconteceu comigo, em Vila Real de Santo António, num conto.
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«Estava a olhar para o rosto do romano, sem saber bem o que fazer, quando todo o corpo se afundou. Logo a seguir, dei com muito movimento nas águas, que ficaram vermelhas de sangue. Um peixe, algum peixe dos grandes tinha abocanhado o romano. Pensei nos filmes com tubarões. Pensei também se seria correcto dizer peixe no caso de um tubarão. Na volta nem tinha sido um tubarão. Lembro-me de que pensei também num atum.»
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

O comentador que diz «tem a haver»

Parece que não chega ir ganhando, como no sábado à Naval – Sporting 3 (Pereirinha, Liedson 2), Naval 1. Tal como noutras destas últimas épocas, já vamos atrasados para lutar pela conquista do campeonato. De resto, uma referência para o comentador do jogo na televisão (não apanhei o nome), que parecia não se cansar de dizer «tem a haver» (tem a haver com isto, tem a haver com aquilo); presumo que deve ser coisas do novo acordo ortográfico, que não domino nem espero algum dia vir a dominar.
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Do jogo do dia seguinte, entre Dias da Cunha (que me pareceu nitidamente do Sporting, ou seja, sportinguista) e Soares Franco (da sade, de qualquer sade, parece – sádico?), a ver se depois ponho aqui qualquer coisa.
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sábado, 11 de abril de 2009

O conto «A Chegada Tardia do Macaco»

A propósito do post anterior, lembrei-me de que nunca pus aqui nada sobre a visita à escola por causa do conto «A Chegada Tardia do Macaco»; na altura ainda não tinha blog. Deixo agora uma foto da conversa com os alunos e alguns dos desenhos que eles fizeram a partir do conto.
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Recordações

Fala-se aqui desta rapariga (Françoise Hardy) que agora já não é uma rapariga, e fala-se de uma canção muito, mesmo muito bonita, de 1962 (há outras versões, por exemplo esta ou esta, mas nunca é a mesma coisa). Gosto muito desta canção de Françoise Hardy, que devo ter ouvido pela primeira vez, nem sei, uns quinze anos depois de ter aparecido (a canção é seis anos mais velha do que eu). Se fosse para dizer uma das minhas canções preferidas, não seria despropositado falar desta. Uma vez fui a uma escola secundária do Porto (EB2/3 Francisco Torrinha) falar com os alunos, que andavam a trabalhar um conto chamado «A Chegada Tardia do Macaco», de um livro meu (é a história de um macaco enviado pelo Ministério da Cultura para abrilhantar a festa da inauguração de uma livraria, mas pelo meio tem uma história de amor). A professora que organizou a ida à escola perguntou-me cerca de um mês antes por uma canção de que eu gostasse muito e eu falei-lhe em «Tous les garçons et les filles», de Françoise Hardy. Na visita eu já nem me lembrava da situação e fui surpreendido pelos alunos, que tinham um coro e prepararam a canção para cantarem nessa altura. De coisas que tenham a ver com os meus livros, talvez tenha sido a situação que mais me tocou.
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Algumas flores aqui do monte (5)

As doze primeiras aqui, aqui, aqui e aqui.
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quinta-feira, 9 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

Um conceito

O de autoficção, para o romance «Uma Noite com o Fogo», aqui.
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Livros inesquecíveis

Ver aqui.
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«Uma Noite com o Fogo», em Loulé

Coloquei aqui um pequeno texto sobre a apresentação em Loulé do romance «Uma Noite com o Fogo», no âmbito do clube de leitura local.
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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Os livros da minha vida

Foi em finais de Março. Estive numa escola de Faro (Escola Secundária de Pinheiro e Rosa) para falar dos livros da minha vida; na assistência, alguns professores e cerca de uma centena de alunos. Levei dois sacos com vinte e cinco livros de escritores que posso dizer que escreveram os livros da minha vida. Um por cada escritor, sendo certo que poderia ter levado mais livros de muitos deles. Mas levei apenas aqueles vinte e cinco, precisamente os que abrem os capítulos do meu romance «O que Entra nos Livros». Deixo aqui os títulos e os autores:
- «Encontro no Azul Profundo», de Roberto Ampuero (Chile)
- «Notícia da Cidade Silvestre», de Lídia Jorge (Portugal)
- «A Viela de Midaq», de Naguib Mahfouz (Egipto)
- «Perder É uma Questão de Método», de Santiago Gamboa (Colômbia)
- «A Casa do Fim», de José Riço Direitinho (Portugal)
- «A Incrível e Triste História da Cândida Eréndira e da Sua Avó Desalmada», de Gabriel García Márquez (Colômbia)
- «O que Diz Molero», de Dinis Machado (Portugal)
- «Mazurca para Dois Mortos», de Camilo José Cela (Espanha)
- «Fronteiras Perdidas», de José Eduardo Agualusa (Angola)
- «Só Deus e Nós», de Michel Folco (França)
- «Levantado do Chão», de José Saramago (Portugal)
- «A Sul de Nenhum Norte», de Charles Bukowski (Estados Unidos da América)
- «Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina», de Mário de Carvalho (Portugal)
- «Quem Matou Palomino Molero?» de Mario Vargas Llosa (Peru)
- «O Segredo de Joe Gould», de Joseph Mitchell (Estados Unidos da América)
- «A República dos Corvos», de José Cardoso Pires (Portugal)
- «Bebendo o Mar», de Xavier Queipo (Espanha)
- «Adeus, Princesa», de Clara Pinto Correia (Portugal)
- «Em Busca do Unicórnio», de Juan Eslava Galán (Espanha)
- «Rituais de Morte», de Alicia Giménez Bartlett (Espanha)
- «A Demanda de D. Fuas Bragatela», de Paulo Moreiras (Portugal)
- «Berlin Wild», de Elli Welt (Estados Unidos da América)
- «A Cidade dos Prodígios», de Eduardo Mendoza (Espanha)
- «Pobby e Dingan», de Ben Rice (Inglaterra)
- «Soldados de Salamina», de Javier Cercas (Espanha)
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A imagem reproduz uma pintura que me ofereceram no final da apresentação, feita sobre um mosaico.
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Algumas flores aqui do monte (4)

As nove primeiras aqui, aqui e aqui.
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Sporting SF

Depois de saber as notícias do jogo do Porto, que parece que foi categórico na vitória em Guimarães, e depois de uma vitória tão cinzenta do Sporting – Leixões 0, Sporting 1 (Derlei) –, não consigo imaginar que no final do campeonato estaremos na frente. É mais uma vez o Sporting SF (Soares Franco, Sade Frágil, Sem Fulgor, enfim, este tipo de coisas negativas), o Sporting que tem medo de ser o primeiro, o Sporting para quem chega ano após ano ser segundo. Esperemos que venham melhores dias quando o infeliz presidente de família benfiquista deixar o clube.
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sábado, 4 de abril de 2009

António Souto – Crónica (10)

Décima crónica de António Souto, depois desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta, desta e desta. O António mantém uma crónica («Ex-abrupto») no jornal da sua terra («Jornal D’Angeja»). Esta é a da edição de Março de 2009.
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Dias marcantes
O mês de Março é rico em dias especiais, quero dizer, em dias nacionais, europeus, internacionais, mundiais e outros mais…
Uma amostra: dia um, Dia Internacional para a Abolição da Pena de Morte; dia oito, Dia Internacional da Mulher; dia onze, Dia Europeu pelas Vítimas do Terrorismo; dia doze, Dia Mundial do Rim; dia quinze, Dia Mundial dos Direitos do Consumidor; dia dezanove, Dia Internacional do Pai e Dia Nacional dos Alcoólicos Anónimos; dia vinte e um, Dia Mundial da Poesia, Dia Mundial da Árvore, Dia Mundial da Floresta, Dia Mundial do Sono e Dia Mundial para a Eliminação da Descriminação Racial; dia vinte e dois, Dia Mundial da Água; dia vinte e três, Dia Mundial da Meteorologia; dia vinte e quatro, Dia do Estudante e Dia Mundial da Tuberculose; dia vinte e seis, Dia do Livro Português; dia vinte e sete, Dia Internacional do Circo e Dia Mundial do Teatro; dia vinte e oito, Dia da Juventude (nacional e mundial); dia trinta e um, Dia Mundial do Não-Tabagismo.
Como se vê, e ainda que me tenham falhado certamente alguns, praticamente todos os dias são importantes, por um qualquer especial evento, ou por vários.
Mas se neste mês de Março muitos destes dias passaram despercebidos ou, se lembrados, vergonhosamente celebrados (como aconteceu com o «5º Fórum Mundial da Água», no qual se reconheceu que muito pouco se tem feito em favor das cerca de «400 milhões de pessoas que vivem em regiões onde a água é um bem escasso»), houve pelo menos um dia que foi copiosa e directamente registado para memória futura, o dia vinte e três, não o da Meteorologia, mas o do doutoramento honoris causa de José Mourinho (actual treinador do Inter de Milão), pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Este, sim, foi um dia grande, à grande e à portuguesa, um dia de orgulho nacional, um dia que faz deslembrar a indisciplina e as agressões cada vez mais frequentes nas nossas escolas, um dia que faz deslembrar o desabar de alguns degraus nos escadórios históricos das nossas senhoras dos remédios das nossas vilas e cidades, um dia que faz deslembrar o pedido de insolvência das quimondas do nosso país. Um dia de encher a temperança de um atleta, a alma de um povo, a glória de uma universidade.
Findo o mês de Março falta-me a primavera e vem-me à memória, não sei por quê, aquele admirável filme italiano de Ettore Scola, «Feios, Porcos e Maus» («Brutti, Sporchi e Cattivi»), vencedor do prémio para melhor realização no «Festival de Cannes» de 1978. Um filme que nos põe a nu a miserável condição humana, com os seus interesses e proveitos, as suas intrujices, as suas vaidades, as suas indiferenças. Um filme que, pela sua oportunidade, nos deveria obrigar a reflectir sobre nós e os outros, a relação que a todos nos une e nos anima, independentemente do mês ou do dia. Porém, um filme é um filme, e não mais do que isso…
E para que Março fique ainda mais prenhe de acontecimentos memoráveis, proponho – despretensioso contributo – que o dia vinte e dois deste mês doravante se engrandeça como o Dia Nacional do Salto Mário Pardo, personalidade de incontestável faculdade que, em plena «19ª Meia Maratona de Lisboa», ousou lançar-se do alto dos 190 metros de altura da Ponte 25 de Abril. O primeiro-ministro estava lá e pode comprovar o salto que deu para a liberdade.
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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Algumas flores aqui do monte (3)

As seis primeiras aqui e aqui.
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O verdadeiro Sócrates

O verdadeiro Sócrates revela-se aqui, assustado, um bocadinho perigoso, a olhar para um lado e para outro, de advogado em punho.
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Ver aqui o artigo, tão óbvio quanto notável, que deu origem a tudo.
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Será que os partidos foram contaminados pelo vírus da decência?

Pergunto isto porque agora todos querem ver corrigida a pouca vergonha da nomeação manhosa do tipo de Braga condenado por tentativa de corrupção.
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quinta-feira, 2 de abril de 2009

«Uma Noite com o Fogo» em Lisboa

Uma imagem da apresentação do meu romance «Uma Noite com o Fogo», ontem ao fim da tarde, na Livraria Bertrand da Avenida de Roma, em Lisboa. Mais imagens aqui.
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