quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Como encontrei Roberto Bolaño

Parece ser o escritor do momento, como se comprova, por exemplo, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui. Ainda não li os livros do chileno Roberto Bolaño, mas hei-de lá chegar. De qualquer forma, já o conhecia desde o princípio do Outono de 2002, alguns meses antes da sua morte. Encontrei-o nessa altura nas páginas de um romance, um que curiosamente ando agora a reler. Na terceira parte (umas cinquenta páginas) de «Soldados de Salamina», o romance de Javier Cercas, o narrador entrevista Roberto Bolaño (a entrevista está incluída no romance); Bolãno tinha lido dois livros de Cercas, um de contos e um pequeno romance chamado «O Inquilino» (existe uma edição portuguesa, da ASA, que já trouxe para Portugal três livros do escritor de Cáceres), e acaba por insistir para que voltem a encontrar-se. Nesse encontro, durante um almoço, Bolaño quase que se transforma no narrador do romance de Cercas. E é ele quem acaba por ser a chave de «Soldados de Salamina». Boa parte das tais cinquenta páginas têm Bolaño a tomar conta da história.
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O sucesso da rapariga da caixa

Falei disto em Fevereiro passado e agora fico a saber por aqui que o livro está a ser um sucesso. Sairá por cá na Gradiva, as atribulações da jovem francesa Anna Sam, formada em Linguística e durante vários anos caixa de um supermercado na periferia de Rennes.
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A reler

Por falta de jeito do que vai saindo por cá (este ano então, de livros tem sido uma coisa terrível, tanto que o melhor é nem fazer balanços), estou a reler o fabuloso «Soldados de Salamina», de Javier Cercas (como ainda há pouco tempo reli «Os Impostores», de Santiago Gamboa, outro romance absolutamente notável). Não consigo esconder um bocadinho de inveja quando leio páginas como estas. Já agora, a propósito de «Soldados de Salamina», existe também um filme (de 2003; a protagonista é uma escritora, enquanto no romance quem anda atrás da história do homem do regime franquista é um escritor).
(imagem: pormenor de uma foto de Robert Capa,
utilizada nas edições de «Soldados de Salamina» em vários países)
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Primeira capa

Capa do primeiro número da revista «human», à venda a partir de hoje. É a edição de Janeiro de 2009. Informações sobre a revista, aqui.
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(clicar na imagem
para aumentar)

sábado, 27 de dezembro de 2008

Estes vimaranenses estão loucos

Ver aqui. O Vitória de Guimarães acaba de contratar, no chamado «mercado de Inverno», um jogador medíocre. Só podem mesmo estar loucos, ou então é uma espécie de esmola para um jogador que já passou por lá antes de ter andado a fazer figuras tristes no Sporting – onde chegou a capitão de equipa, naquele que é um dos maiores mistérios da longa história do meu clube. Um golo de Simão Sabrosa numa vitória do Benfica em Alvalade, com o despropositado capitão a desviar-se para o benfiquista passar, é bem a imagem deste jogador que se enganou na modalidade (talvez uma opção mais acertada tivesse sido o bilhar, ou na volta a equitação).
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Um pequeno choque

Foi o que senti quando dei com a capa da «Visão» com Marcelo Caetano. Estive para comprar, mas depois disse para comigo que para aquele peditório não ia contribuir. Compreendo que é preciso vender papel, mas daí até branquear delinquentes… Não bastava já o que no ano passado fizeram com o criminoso de Santa Comba, que na volta ainda algum dia acaba transformado em santo. Já agora, ver comentários sobre o trabalho da «Visão» aqui e aqui.
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O arruaceiro vai-se safar

(clicar na imagem para aumentar)
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal

Para todos os visitantes deste blog, um Feliz Natal e um Excelente Ano de 2009!
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… e a recordação de uma pequenina história de Natal, aqui.

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O primeiro número

O número um da revista «human» (edição de Janeiro de 2009) estará nas bancas na próxima Segunda-feira, dia 29. (à esquerda, pormenor da capa)
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O treinador que não gosta de rebeldes

Só agora escrevo sobre o Sporting 0 – Académica 0. Esperei de propósito, para ver o que faziam os outros. Ainda bem que ficou tudo na mesma, mas podia não ter ficado e, uma vez mais, Paulo Bento poderia ter atrasado o Sporting no campeonato. Vi num jornal um título sobre os rebeldes terem chegado tarde, com imagens de Vukcevic e Yannick. Foi um bocado o que aconteceu, pela pouca inteligência de Paulo Bento (o QI, de que já várias vezes falei aqui). Ou então tudo não passou de uma questão de gosto. Paulo Bento terá um QI que poderia tê-lo levado a tomar duas ou três decisões de jeito para ganhar o jogo à Académica, coisa que só não aconteceu porque ele não gosta de rebeldes. Talvez prefira jogadores à imagem do que ele foi, apagado, sem se lhe ouvir uma palavra a não ser alguma para elogiar o treinador, e sempre de cabeça em baixo e muitas das vezes com as mãos atrás das costas. De qualquer forma, uma decisão tomou durante o jogo que é de louvar, a retirada do hecatômbico Caneira para meter Miguel Veloso, que até se saiu mais ou menos a defesa esquerdo (sabe jogar à bola, ao contrário do colega); mas podia ter sido outro a entrar, até o guarda-redes Tiago se o árbitro não se opusesse.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O início

Deixo a seguir o início do meu novo romance, que será publicado em Fevereiro de 2009 (ed. Quetzal). Chama-se UMA NOITE COM O FOGO.
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Há muito tempo que escrevia este livro. Alguns anos. Mas escrevia-o apenas na minha mente, com o que pensava, com tudo aquilo que ia recordando. Se tivesse conseguido reunir as palavras necessárias para contar a história, se as tivesse encontrado, escolhido, até se tivesse inventado algumas para na volta fazer boa figura, tudo haveria de ser, digamos assim, mais normal. Era uma vez… Eu, de noite, uma noite muito quente, abafada, próximo do que julgava insuportável, uma noite com o fogo. Como se vivesse sempre essa noite. Como se ela tivesse passado a existir de uma forma definitiva. Um filme a voltar inevitavelmente ao princípio. A ideia de haver um tipo de cinema circular, ou aos círculos, marcado por um momento um bocadinho forçado, mas apenas um momento, fugaz, aquele em que de repente se passava do fim para o princípio e tudo voltava a acontecer. Tudo, desde o princípio. Eu ainda em casa, depois de ligar a televisão. Teriam passado dez ou quinze segundos sobre o aparecimento das imagens no ecrã. Não mais do que isso. Era de noite na televisão, como era de noite naquele sítio, o da casa. A minha casa. Estavam em directo com as notícias. Tudo ardia, dava até a ideia de que a câmara filmava bem dentro das chamas; mas não, nem ela nem quem a segurava corriam qualquer risco. Era a objectiva que fazia o milagre, como se naquele momento não houvesse mais nada no mundo em que gastar milagres. Eu ouvia o barulho do telefone, insistente, mas não ia atender. Estava preso ao ecrã, mais do que pelas chamas, por causa da palavra que aparecia num dos cantos. O nome do lugar da minha infância. E o barulho do telefone, sem parar. Quando finalmente atendi, surgiu a voz da minha mãe. Perguntava se já sabia. Apenas isso. E eu já sabia, tinha acabado de saber. Tinha acabado de ver. O fogo. O lugar da minha infância, naquela noite, invadido pelo fogo.
É este o livro que tantas vezes escrevi dentro da cabeça. O livro aqui já com as palavras, as que antes não consegui reunir, as que durante alguns anos não encontrei, as que não fui capaz de escolher. Até as palavras que sempre me pareceram impossíveis de inventar. Ainda nem passaram duas horas sobre as imagens vistas na televisão e sobre o que escutei da minha mãe, pelo telefone. Uma boa parte do Alentejo já ficou para trás, sempre com o carro apressado nas estradas distribuídas quase ao calhas pela planície. Sempre à procura do trajecto mais a direito, uma estrada nacional, uma estrada municipal, por vezes uma que nem isso – e a auto-estrada, essa sempre a direito, longe, lá do outro lado, nada em caminho. Tenho bem à minha frente os montes que se seguem à planície, uma fronteira. Tão tarde na noite o normal seria nem conseguir vê-los. Mas vejo, vejo-os sem dificuldade, os seus contornos bem definidos. A história pode agora começar.
(foto: Rui André)
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Até tinha piada

Agora já se pode dizer que esta capa do «Record» até tinha piada.
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Número um

A edição número um (de Janeiro de 2009) da revista «human» fechou na passada Terça-feira, perto das nove da manhã. Agora é esperar até lá para 29 ou 30 deste mês para que chegue às bancas.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Uma reportagem

Da revista «Gingko».
(clicar nas imagens para aumentar)
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Os últimos dois jogos

Pouco ou nada vi dos últimos dois jogos do Sporting – Basileia 0 - Sporting 1 (Yannick), para a Liga dos Campeões, e Sporting 3 - Marítimo 0 (Yannick, Liedson e Romagnoli), na estreia na Taça da Liga. Duas vitórias normais, primeiro frente a uma equipa que além de participar no campeonato da Suíça também participa, embora sob disfarce, numa das séries da nossa terceira divisão, depois frente a uma outra mais forte mas que depois de apanhar uma cabazada em casa no jogo com o débil Benfica chegou a Alvalade sem saber bem como se haveria de apresentar. De notar a tristeza de Yannick, apesar dos golos (Paulo Bento parece ser o grande culpado da desmotivação do jogador), as habituais tristes figuras do assustador Caneira, a segurança do guarda-redes Tiago e o desinteresse que o Sporting está a causar nos seus adeptos (perante a cegueira dos dirigentes, que tentam perceber o que se passa recorrendo a sondagens).
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma entrevista

Há mais de setenta anos que eu não dava uma entrevista. Agora está uma aqui.
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Como seriam as assembleias gerais?

Tirado de um trabalho dos jornalistas António José Vilela e Vítor Matos, publicado na revista «Sábado»…
«A filha Ana Catarina é o administrador suplente e a mulher Maria de Fátima era a presidente da Assembleia Geral [da DL, a empresa unipessoal de Dias Loureiro].»
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domingo, 7 de dezembro de 2008

Por momentos pensei que era o Marcelo Rebelo de Sousa

Esta pequena rã na verdade é uma rela. Por aqui há muitas destas. Hoje de manhã estava à entrada de casa, já do lado de dentro. Eu era para colocá-la lá fora, no meio de umas plantas que ladeiam a porta, mas o que é certo é que acabei por esquecer-me. Lembrei-me vai para uma hora, quando de repente ela se pôs a coaxar como se tivesse um altifalante na boca. Como estava meio a dormitar ao computador ainda pensei que o Marcelo Rebelo de Sousa, que falava na televisão, se tinha passado da cabeça e então tinha desatado a falar num idioma novo, quem sabe por sugestão da RTP. Mas não, não era ele, era a rela. Uns minutos de buscas (já não estava no sítio onde a tinha visto de manhã) e dei com ela numa das travessas do postigo da porta de entrada. Fez-me lembrar o símbolo do Sapo ADSL, fez-me até chegar uma ideia, a de que a ligação à Internet está a funcionar bem mesmo aqui no meio da floresta porque vem através dela, que distribui o sinal tipo rooter. Anda hesitei entre colocar ou não a rela lá fora, nas plantas junto à porta. Mas um novo coaxar fez-me decidir. Agora está mesmo lá fora e apesar de ainda se ouvir o coaxar que faz de vez em quando já não provoca eco. E além disso a ligação à Internet não foi afectada.
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Mudança de planos

Tinha pensado escrever esta noite sobre a vitória do Sporting na Amadora – Estrela da Amadora 1 – Sporting 3 (Izmailov, Liedson, Vukcevic) –, colocar aqui alguns comentários, dizer o que achei do regresso do Vukcevic com um ar mais esquisito do que o que tinha antes. Mas não, depois daquela coisa estranhíssima do Benfica ir à Madeira ganhar por seis a zero (fiquei a saber do resultado há pouco, ou «há pedaço», como diz o Alberto João Jardim), depois disso, nem pensar. Não consigo escrever, ou melhor, não me apetece.
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Na volta, uma das frases do ano

Foi escrita por Rogério Casanova e apareceu ontem no suplemento «Actual», do «Expresso» (num texto sobre o mais recente romance de Paul Auster). Parece-me candidata a frase do ano – pelo menos eu não me lembraria de melhor. É esta: «A reputação de Auster sempre foi um dos grandes mistérios contemporâneos.»
(foto de Luis Magán)
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sábado, 6 de dezembro de 2008

Uma crónica de Luís Graça (7)

Sétima de uma série de crónicas do Luís Graça. As anteriores… Primeira, segunda, terceira, quarta, quinta e sexta.
Nota: esta crónica é a versão editada por mim de um comentário deixado pelo Luís ao que escrevi aqui sobre o último «Sporting – Porto» para a Taça de Portugal.
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Onde estou? Quem sou eu? Por que é que já não há futebol de jeito no campeonato português?
Eu bem queria ver o jogo, mas os imponderáveis impediram-me de chegar a tempo ao Snooker Clube, equipadinho com o pólo Stromp, de que tanto gosto.
A primeira vez que o vi ao vivo (já tinha visto em fotos antigas) foi na temporada de 1979/1980, com a linha atacante formada por Manoel, Manuel Fernandes e Jordão.
(Que grande golo marcou o Manoel a um grande ídolo meu, o sueco Ronnie Hellstrom, num jogo de má memória com o Kaiserslautern, arbitrado por um árbitro com nome de realizador de cinema de culto: John Carpenter. Acho que o jornal «A Bola» titulou «O Regresso do Mal», título português do famoso «Halloween». Vi o filme numa sessão das 18h30m do Monumental, com um auricular de transístor Sanyo e a ouvir o «Portugal – Itália» do Europeu de hóquei. Quando era golo de Portugal eu tirava o auricular do Sanyo e toda a gente festejava o golo de Portugal, enquanto um gajo com uma agulha de tricot andava a furar gente numa terreola dos Estados Unidos.)
Bem, como estive a ajudar os amigos a «desmontar a tenda» no Festival de BD da Amadora (e eu e o Eduardo Raposo ficámos presos na escada que dava acesso ao salão, porque àquela hora já só se podia sair, não dava para entrar outra vez; lá mandei um berro à menina que estava ao pé da ambulância, ela chamou o segurança, o segurança disse para saltarmos por cima de uns vasos com plantas que já estavam a bloquear o caminho para o piso inferior, a garagem; e da garagem subimos para a entrada do Festival, onde o Rui Brito e o Lameiras andavam à nossa procura, porque eu me tinha esquecido do telemóvel em casa).
Com tudo isto chegámos ao Snooker Clube só a tempo de sofrer com os penalties e nos batermos com uns cachorros especiais e uns pregos, cortesia do Zé. E nem foi preciso beber muito para esquecer. Depois fomos dar umas tacadas para o pano verde e já saímos bem dispostos. Estar com os amigos é bem mais importante do que sportingues, benficas e fcportos.
E o Snooker Clube é o local onde sou mais do que cliente, sou amigo e sempre bem tratado, apesar de o amigo Almeida ser do «inimigo» – Benfica. Mas é um «inimigo» fidalgo, fraterno e com sentido de humor. Ao ponto de me vir dar o cartaz de anúncio do «Sporting – Porto» para o campeonato nacional, no final da nossa desgraça.
– Ó Luís, é capaz de querer ficar com isto para recordação...
– Mas o amigo Almeida tem de autografar...
– Isso já não consigo...
E lá nos rimos os dois, que isto de ser do Sporting dá uma estaleca do camarquilhão nas derrotas.
Portanto, foram duas derrotas seguidinhas no Snooker Clube, equipado à Stromp. Mas não desisto. Hei-de lá ir ver o próximo Sporting – Porto, ou Porto – Sporting. E equipado com um pólo do Sporting. Mas por causa das coisas levo o outro pólo do Sporting, que também é lindíssimo. É aquele de fundo branco, com listas amarelas e verdes horizontais. Pode ser que pegue.
Enfim, saudações leoninas.
E nem sei o que se tem passado com a nossa equipa carismática e vencedora, a de ténis de mesa. Pelo meu lado, comecei o Campeonato do Inatel. Podem ler tudo brevemente em http://www.oprazerdamesa.blogspot.com/.
E as reportagens do Salão Erótico no blogue do BD Voyeur. É ir através do link do «Prazer da Mesa» até ao Kuentro (que é sobre BD) e depois o Kuentro avisa quando começar a mandar brasa sobre o Salão. Mal o Machado tenha tempo de postar, é só saúde e muitas mulheres nuas.
Algumas delas andaram em cima de mim. Ou melhor, do Dick Hard. Vou aparecer uma terça-feira destas no «Boa-noite, Alvim», na rábula com o Nuno Costa Santos. E mais não conto. Deve ser lá para o final de Novembro, princípios de Dezembro. Mas até pode ser uma terça anterior. Previsões só no final do encontro.
Viva a SIC Radical! Viva o Alvim! Viva o Nuno Costa Santos! Viva o Gimba! Viva o papagaio Baixinho! Viva o Pedro Dias! Viva o João Manzarra!
E vivam as miúdas do Curto-Circuito! Principalmente a Joana Dias, que faz anos no mesmo dia que eu. E aquela que curte gajas também é simpática. Já para não falar da fresquinha Rita Andrade.
Viva o «Cabaret da Coxa»! (pode ser que regresse, tenho um dedo mindinho a dizer-me coisas, eles andam a dar repetições do programa; será só coincidência?)
Realmente, eu não posso andar nos blogs. Perco-me. Não tenho GPS. Tudo isto a propósito da derrota do nosso clube... Então e quando é que durmo?
Estúpido! (é comigo, não é com vocês) Devia estar a preparar já o curso de escrita criativa que vou dar na Learning Inovation, ali para as bandas do El Corte Inglés, nas segundas e sextas-feiras de Fevereiro, entre as 18h e as 21h, com pausa para sexo, whisky e cigarrinho, a meio da sessão. Começa a 9 e acaba a 27. (mais pormenores pelo telefone 309912840)
Mas estou a dizer isto por acaso. Pagam-me o mesmo, independentemente do número de alunos.
Mas curto dar aulas numa rua com o nome de um homem que muito admiro (Ramalho Ortigão). E já conheci o caniche Pipo, que anda lá pela zona e «ladra porque quer que as pessoas lhe façam festas», segundo a versão da dona.
Olha lá, ó António, o Fernando Pessoa das paredes aí de casa e o ouriço das visitas nocturnas também ladram, ou isso é só o Monge e os colegas?
E por aqui me fico, que daqui a meia hora começam a martelar as paredes do prédio. As obras já duram há mais de um mês e meio, a darem-me cabo da cabeça. E eu para aqui. Não resisto aos blogs dos amigos. Amanhã (hoje!!!), se tiver enxaquecas, posso queixar-me?
Bem, o melhor é tomar um kainever, para ver se descanso o mínimo. Mas daqui a umas sete horas vou acordar tipo zombie. Onde estou? Quem sou eu? Por que é que já não há futebol de jeito no campeonato português?
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Leitura recomendada

Leitura recomendada a Cavaco Silva, doutorado em Literatura pela Universidade de Goa. Dois excertos… «A transacção acabaria por ser concretizada com base num relatório favorável entregue pelas próprias empresas de Porto Rico que tinham como investidor o libanês Abdul Rahman El-Assir, amigo do ex-ministro e que é descrito na imprensa internacional ‘como traficante de armas’.»/ «’Em Outubro de 2001, antes de os contratos de aquisição terem sido oficialmente celebrados, fui chamado para participar numa reunião em Lisboa, onde estavam presentes os responsáveis da SLN e o investidor das duas empresas’, revela Vieira Jordão. E adianta: ‘Foi um encontro fugaz e recordo-me que se chamava El-Assir e que era tratado por mister.’» Recomenda-se também a leitura disto.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A verdade…

A verdade é que não me apetece dizer nada sobre o Sporting 2 (Hélder Postiga, Liedson) – Guimarães 0. Entrámos na fase em que começamos a ganhar com facilidade depois de por incompetência nos termos deixado ficar para trás, como nas últimas épocas. A ver se esta acaba por ser diferente...
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Feliz Natal, senhor Lourenço

Divulgação do próximo curso de escrita criativa do Luís Graça (texto sem edição, colocado aqui exactamente como foi recebido por e-mail).
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LUÍS CARGA VOLTA À GRAÇA NA RUA DO JASMIM
O magnífico escritor, dramaturgo, poeta, jornalista, ensaísta, actor, travesti, publicitário, mesa-tenista, hidro-ginasta, romancista e modesto como o caraças Luís Graça vai voltar à carga com mais um curso de Escrita Criativa na Associação Agostinho da Silva, na Rua do Jasmim, número 11. Se não sabem onde é podem perguntar na esplanada do café do Príncipe Real, costuma lá estar o João Botelho. Ou perguntam ao pessoal que está a jogar à sueca na esquina que dá para a Rua do Jasmim. Para quem vem do snack-bar "O desejo" é subir a rua e entrar à esquerda no edifício da Junta de Freguesia das Mercês.
Como é um Curso de Escrita Criativa Natalícia será disputado entre 15/20 Dezembro, de segunda a sexta, mas podem meter a rapidíssima, se quiserem, embora se arrisquem a partir o motor. Horas: as ideais para qualquer pessoa civilizada: 18h/19h30m. (O Renato Epífânio é que manda e as inscrições são com ele, pelos telelés ring-ring-ring 96 704 42 86 e 21 34 22 783).
O quê?!? O 21 não é telelé? Ó pá, vão dar banho ao canis, venho eu de um clube de strip onde faltaram as húngaras que iam dar show lésbico e estão-me a chatear a carola com pormenores? Vejam lá se crescem.
O título do curso? O que é que isso interessa? Está bem, pronto, eu digo: FELIZ NATAL, SR.LOURENÇO.
Porquê? Porque é dado a partir de uma peça de teatro cá do Luís Graça (entrem em
www.gandaordinarice.blogspot.com --- cuidado com a bolinha vermelha nos outros dias --- e procurem a peça nos arquivos, a 16 de Setembro de 2007).
E a partir de uma obra cinematográfica menor de um realizador chinês, ou coreano, ou japonês, chamado Nagisa Oshima, ou Adalgisa China ou uma coisa assim. O gajo fez um filme que se chama "Feliz Natal, Mr.Lawrence". Mete gajos amarelos e o David Bowie. Vi no Trindade, no Porto, numa noite de Inverno e a minha mãe saiu a meio. Afinal, alguém tem de vender droga para sustentar a família. Mas como estava a chover muito ela deu a droga aos pombos (por isso é que as gaivotas do Porto agora já atacam os pombos, estão revoltadas com a falta de equidade) e voltou para a sala de cinema. No final perguntou-me:
--- Então, filho, gostaste?
--- Assim, assim. Estava à espera que o Bowie cantasse um tema ou dois. E o japonês era mesmo mau. Mas também não se pode esperar muito de um realizador desconhecido, um actor que vai para a cama com homens e mulheres e música de um gajo que é ladrão de motos em Tóquio. O nome do gajo diz tudo: Sakamoto.
Resumindo: venham mas é lá inscrever-se no curso, que as Private Dance não são à borla, uma Stout num club de strip normal custa 9 euros e um Drambuie 12. E nos clubes de strip ninguém acredita no Pai Natal.
Os gajos pagam-me na mesma, mesmo que os alunos fiquem na conversa no jardim do Príncipe Real e comecem a dar tangas do género: "Ai, coiso e tal, a porta estava fechada, pensámos que o stôr não vinha e fomo-nos embora".
Olhem, para mim é tinto. Por acaso até nem foi. Fiquei a mamar garrafinhas de cachaça com o Sardinha --- na rua, na rua, fora do horário de trabalho, que eu não conduzo e o Sardinha tinha de estar na lota de manhã cedo, no outro dia --- que é um bacano lá do ATL que controla os putos nos computadores e não deixa os gajos entrar na página da Assembleia da República. Acho muito bem que antes dos 18 anos a pornografia seja barrada.
Apareçam, paguem e comam umas fatias de bolo-rei no último dia do curso. Oferece a Associação.
No curso anterior ofereci eu bombons Mon Chérie, em homenagem à grande stripper bocagiana Mimi Monchérie.
O texto é muito grande, Inês? Que se lixe! A maior parte da malta só vê os bonecos. Quem aparecer é por causa do bolo-rei à borla e na esperança de encontrar "engates". A Escrita Criativa está na moda.
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António Souto – Crónica (6)

Sexta crónica de António Souto, depois desta, desta, desta, desta e desta. O António mantém uma crónica («Ex-abrupto») no jornal da sua terra («Jornal D’Angeja»). Esta é a da edição de Novembro.
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Uma crise de barriga cheia
Arrancou já o natal, quer se queira, quer não. Nas ruas da capital e noutras da periferia, as luminárias já brilham em cores e feitios sortidos. Os lojistas, porém, mantêm-se resistentes em montras toldadas de crise, sem decorações vistosas e apelativas. A procura é pouca, dizem, nem sequer olham para as vitrinas as pessoas de passo apressado que fazem contas à vida.
Já nem os assadores de castanhas se dão por satisfeitos do ofício que levam a dois euros a dúzia, de castanhas, bem entendido, que mais barato não podem, que há que remunerar as ditas, trazidas por intermediários de carrinhas a gasóleo que pagam o gasóleo e as portagens e os parques para estacionar no centro da cidade para a descarga, e depois há ainda o carvão e os quinhentos euros de seis em seis meses que têm de pagar de impostos, mais o trabalho de manhã à noite, ao frio e à chuva, que a seguir ao outono vem logo o inverno.
Parece haver uma excepção, a dos cauteleiros, uma classe irmã de engraxadores que, pela baixa das cidades, mantém a voz confiada em dar a ventura aos outros, e agora que aí vem a lotaria do natal a sorte é certa. Para os outros, claro está, que para aqueles também a crise lhes bate à porta, como a todos os eus, na primeira pessoa, sempre.
No ano passado, como nos anteriores, era mais ou menos o mesmo, mas este ano é que é, a crise não dá mesmo tréguas, têm sido, aliás, umas atrás das outras, agravou-se na américa de bush, passou pela europa e aterrou no posto de combustível mais próximo e no bpn aqui por baixo da nossa porta, tudo assim baixinho, em surdina, em minúsculas, e uns quantos sempre a comer e a beber à fartazana e a rirem-se ainda de nós pelas costas e pela frente.
São assim os torvelinhos da globalização, agora em marcha atrás, crêem os mais entusiastas, com obama a assomar já nos varandins da casa branca com as primeiras damas prazenteiras amainando as bolsas internacionais e as nossas. É esse o convencimento de muitos.
É essa a minha convicção, diz o deputado, é essa a minha convicção, diz o ministro, é essa a minha convicção, diz o presidente da república, é essa a nossa convicção, dizem os que menos desejam comprometer-se, e tão rapidamente começou a andar a «convicção» de boca em boca que pouco faltará para que se banalize todinha por tão trapaceiramente gasta.
E no entanto arrancou já o natal, quer se queira, quer não. E muito antes de nascer o redentor despontou já no topo da capital a maior árvore da europa, a árvore zon, enroupada meticulosamente em 1.625.000 microlâmpadas zon, 1.500 lâmpadas tipo bolinha zon, 90 estrelas néon zon e cerca de 13 quilómetros de mangueira luminosa zon, e tudo tudo zon zon respingado com um vistoso fogo à madeirense.
E nós olhamos para aquilo tudo e, num deslumbramento barroco, com tejo ao fundo, mandamos a crise às urtigas e borrifamo-nos para os desvarios todos de toda a gente.
Depois, refeitos, regressamos de barriga cheia à vida e vamos ao pão, que a fome é certa...
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