quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A inteligência

O título deste post não é muito feliz, mas pronto, é o que se pode arranjar; tudo porque o post não é sobre a inteligência mas sobre a falta dela. Viu-se ontem à noite, no Sporting 2 (Miguel Veloso, Liedson) – Barcelona 5. A pouca inteligência de Paulo Bento como treinador ficou mais uma vez à vista logo antes de começar o jogo, uns minutos antes, quando foi conhecida a equipa. Pelas escolhas que fez, ou queria complicar tudo ou então não consegue ver a evidência de que uma equipa que inclui jogadores medíocres, sobretudo na defesa, corre o risco de a qualquer momento sofrer grandes dissabores. No jogo de ontem a defesa foi uma calamidade, salvando-se Grimi, de quem não tenho uma opinião por aí além. De Daniel Carriço pouco sei, mas a ideia que me dá é de que não vai sair dali nenhum craque (não se atrapalha com a bola como Polga e Caneira, mas há qualquer coisa de estranho nele, uma certa falta de à-vontade, uma maneira estranha de correr, e depois a própria figura não é bem a do costumeiro jogador de futebol, mais parecendo um actor de cinema dos anos quarenta ou cinquenta; cinema norte-americano, não daqueles filmes chamados «portugueses»). Mas o problema maior esteve nos outros dois elementos, Polga e Caneira, cada um com um golo na própria baliza, coisa que numa equipa com uma defesa normal seria uma notícia tipo jornal do incrível mas que neste caso acaba por ser, digamos assim, compreensível. Já escrevi várias vezes que os dois são iguais na mediocridade mas com uma grande diferença: enquanto Polga é um lutador incansável, Caneira parece sofrer de uma apatia crónica de que só se livra lá de tempos a tempos, quando algum jornalista cai na asneira de lhe fazer uma entrevista e aí ele pode sobressair a contar anedotas como aquela de ser «um grande líder».
De ontem, a ideia que fica é a de que não havia hipótese de o Sporting não ser goleado. Primeiro a maneira como o actor de cinema se deixou enganar por Messi para um primeiro golo inacreditável. Depois o auto-golo de Polga, sem saber o que fazer com a bola. A seguir, a parvoíce de Polga a deixar marcar o livre para o terceiro golo do Barcelona. E depois ainda, cúmulo da asneira na noite de ontem… Passados dois minutos de sorte em que foi possível a equipa reentrar na discussão do resultado, bastaram alguns segundos para Caneira repor as coisas no caminho da tragédia, chutando a bola à maluca com a canela para dentro da própria baliza.
O estranho de tudo isto, para além da questão da inteligência, é que os responsáveis do Sporting parecem encarar uma goleada em casa por cinco a dois com absoluta normalidade (ver aqui algumas declarações absolutamente patéticas). Ganhar, perder, empatar, ser goleado, golear, parece que é tudo igual. Se calhar até têm razão; afinal, não passa de um jogo de futebol. Mas na História vai ficar registado, cabazada em casa com o Barcelona, cinco a dois, a mesma diferença dos célebres seis a três.
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domingo, 23 de novembro de 2008

Uma pergunta

Quantos antigos ajudantes de Cavaco Silva poderão estar atolados no lodo do BPN?
vvv
Já agora, além da pergunta, um comentário: pôr a tratar dos impostos dos portugueses um tipo que lá na terra dele era conhecido por Zeca Diabo é bem revelador da ligeireza com que o actual presidente da República por vezes trata as questões do país.
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As convicções mais profundas

Estou convencido de que estava certo quando em tempos escrevi aqui que nunca votaria num partido liderado por Manuela Ferreira Leite; numas eleições com ela candidata a primeira-ministra, eu certamente votaria em branco. As declarações que fez sobre a suspensão da democracia por seis meses, como outras parvoíces que já disse, confirmam que é uma pessoa de outro tempo, até um pouco perigosa. Mesmo que se diga que estava a tentar fazer humor à volta de um regresso da ditadura, é mais do que óbvio que esse humor falhado lhe veio das suas convicções mais profundas.
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Confirmações

Os jogos do Sporting para o campeonato agora já pouco interessam, de qualquer forma sempre posso dizer alguma coisa sobre o Naval 0 – Sporting 1 (Liedson). Foram várias as confirmações. A equipa continua uma confusão. Derlei tem tanto de bom jogador como de destrambelhado (passe para o golo e mais uma expulsão). Liedson é mesmo muito bom e se a equipa tivesse para cada posição um jogador do nível dele poderia ganhar com relativa facilidade a Liga dos Campeões. Caneira é definitivamente um caso perdido (o penalty à maluca do costume, uma expulsão que só revela irresponsabilidade e a tradicional falta de aplicação, para além do pouco jeito que sempre revela quando a bola está por perto). Já Paulo Bento está cada vez mais confuso, como o prova a opção por um avançado (Hélder Postiga) a fazer de maestro da equipa, e além de confuso insiste nas declarações parvas e de baixo nível, como as que fez ontem logo a seguir ao jogo e que depois da insistência do jornalista não teve coragem de concretizar; receio que se esteja a perder o treinador que em tempos muito prometia (apesar de se notar que era algo limitado em certas coisas) e que eu até tinha orgulho em ver à frente da equipa do Sporting.
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Revista «Ler»

Há umas semanas que tenho a «Ler» de Novembro em casa, mas só agora lhe consegui pegar com olhos de ver. Muito boa a entrevista de Carlos Vaz Marques com Miguel Esteves Cardoso, ou a entrevista que Miguel Esteves Cardoso deu a Carlos Vaz Marques, nem sei como diga. Uma coisa estranha… Há que tempos que não via o Miguel Esteves Cardoso. Fiquei impressionado por dar com ele mais gordo; mais um pouco e fica como o Rochemback.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A falta de tempo

Não tive tempo para colocar nada aqui sobre o jogo do Leixões – Sporting 0, Leixões 1 –, mas também nem saberia o que escrever, tirando algo sobre o facto de o Leixões ter ganho muito bem. Confirma-se que Paulo Bento anda empenhadíssimo em passar de cavalo para burro, pelo que faz e sobretudo pelo que diz.
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domingo, 16 de novembro de 2008

Projecto «human»

O meu novo desafio profissional é o projecto «human», da empresa Just Media. Entre outras coisas, o projecto tem uma revista mensal, que começará a sair em Janeiro de 2009 (revista «human»), e um portal de actualização diária, já a partir desta segunda-feira, dia 17.
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sábado, 15 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A saída da Taça

Qualquer coisa me dizia que o jogo – Sporting 1 (Liedson), Porto 1 (eliminação nos penalties) – não ia correr bem. Mas depois do começo viu-se que não; de um lado o Sporting a jogar muito bem e com uma grande capacidade de luta, do outro uma equipa a parecer que não tinha um mínimo de categoria. Depois, na segunda parte, a mudança; o Sporting a cair e o Porto a ganhar força. No fim, uma desgraça, com a eliminação no desempate por penalties e eu a lembrar-me do pessimismo inicial. Deixo ainda algumas notas…
- a arbitragem foi uma vergonha, mas mesmo assim ainda me parece que nem temos muita razão de queixa (penalty por marcar numa mão de Rolando, outro numa agressão de Rochemback ao mesmo Rolando, e ouvi falar de outro de Rui Patrício sobre Hulk no lance da expulsão de Caneira, mas não perebi bem a jogada); além da expulsão perdoada a Rochemback e do segundo amarelo a Caneira que deveria ter sido vermelho directo depois da bárbara agressão a Hulk;
- o golo do Porto foi patético, com Hulk a correr mais de cinquenta metros sem que o leitão Rochemback o conseguisse apanhar, nem para fazer uma falta;
- Caneira além da falta de jeito para o futebol não prima pela inteligência (mesmo depois de ter escapado do vermelho directo na agressão a Hulk, ainda se armou em parvo com o avançado brasileiro – resultado, amarelo para os dois, e logo Caneira que já tinha um primeiro amarelo);
- ainda o golo do Porto – fez-me lembrar um outro, há duas épocas, o do empate a um do Paços de Ferreira em casa contra o Sporting, quando Caneira também ficou nas lonas enquanto o avançado Cristiano corria para rematar à baliza (na imagem); esse golo pode ter custado o campeonato nessa época;
- Polga jogou muito bem, muito esforçado, incansável, e até marcou um penalty com segurança (se tivesse controlo sobre a bola, com a capacidade de luta que demonstra seria um jogador fantástico);
- Paulo Bento não interveio no jogo, não percebo por quê (nem ele se calhar percebe); fez no banco mais ou menos o que Filipe Soares Franco fez na tribuna ao lado de Pinto da Costa;
- Foi bom ver Yannick de volta, depois da inexplicável embirração de Paulo Bento, que insiste em deixá-lo de fora;
- Jesualdo Ferreira, um anti-desportista encartado, fartou-se de protestar no lance em que Hulk simulou um penalty e foi expulso;
- eu nunca mandaria Rochemback ou Abel marcarem os penalties, nem Polga, o único dos três que não falhou;
- na volta Stojkovic talvez tivesse chegado a alguma das bolas rematadas nos penalties pelos jogadores do Porto;
- Romagnoli estava a jogar muito bem, e até a lutar mais do que o costume, mas teve de ser sacrificado numa substituição por um defesa depois da estupidez do medíocre Caneira, que não descansou enquanto não conseguiu ser expulso;
- Pinto da Costa abandonou a tribuna a pedir desculpa por ter passado a eliminatória; Soares Franco, de pé, não se cansava de bater palmas, ao mesmo tempo que mostrava um semblante difícil de classificar (triste?, alegre?, nem uma coisa nem outra?)
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sábado, 8 de novembro de 2008

Um convite

É para dia 25 este convite. Deixo-o aqui socorrendo-me de algumas palavras do próprio autor, de um e-mail que me enviou ontem à tarde.
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Vou lançar o meu novo livro intitulado «A Arte de Ver e Superar» (editora Sinais de Fogo) no próximo dia 25 de Novembro de 2008 (Terça-feira), na FNAC do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, pelas 19h00.
A apresentação estará a cargo de dois professores universitários:
– Sidónio Serpa (psicólogo e docente da Faculdade de Motricidade Humana, UTL);
– Carlos Saraiva Alves (economista e docente do Instituto Superior de Gestão, ISG).
Considerando que se trata sempre de um momento simbólico, mas importante para o autor, quero convidar os amigos e as pessoas da minha teia de contactos para estarem presentes nesta sessão.
É um livro no âmbito do desenvolvimento pessoal e da «auto-ajuda», que é simples e provocador, mas muito sério. Levanta questões tão diversas como:
– aquilo que não conseguimos «ver»;
– superação de obstáculos na nossa vida;
– o nosso auto-aperfeiçoamento;
– a nossa integração no todo colectivo;
– como encaramos o mundo do trabalho e derivados;
– valorização do bem precioso que é a saúde;
– preservação das relações mais fortes;
– as preocupações ecológicas;
– a postura activa em favor de um mundo melhor.
Espero que possa comparecer e que goste da sessão e do livro.
Se me quiser ajudar a divulgar esta sessão junto de outras pessoas que gostem de livros e potencialmente interessadas, desde já fico muito grato.
Com as minhas mais cordiais saudações,
Rodolfo Miguel Bacelar Begonha
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Uma história com piada

Tem piada esta história do escritor português que era para ganhar o «Prémio Portugal Telecom de Literatura» e que acabou por não ganhar por terem medo de que ele não fosse ao Brasil receber a taça, perdão, o cheque. Não sei se é verdadeira, mas tem realmente piada. Eu, por mim, se por qualquer desvario do mundo me dessem o prémio posso desde já assegurar que ia lá ao Brasil recebê-lo. Mais difícil seria apanharem-me por estes tempos na cerimónia de entrega do «Grande Prémio do Romance e da Novela da APE», com o Cavaco nas entregas. Enfim, havia sempre a hipótese de mandar o editor, ou alguém da família; ou então fazer de conta que não era nada de grave, ir lá tipo zombie e dizer meias dúzia de coisas para não dar muita barraca.
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Uma festa difícil de perceber

Por falta de tempo não consegui mesmo ver o Sporting na terça-feira à noite com os ucranianos – Sporting 1 (Derlei), Shakhtar Donetsk 0. Também por falta de tempo só agora escrevo esta nota. A vitória deu a qualificação antecipada para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Uma festa, pelo menos foi o que me pareceu do que ia ouvindo no rádio do carro. Não percebi bem a razão. A qualificação é algo de muito bom, mas é apenas para os oitavos de final. Se fosse para umas meias-finais ou para a final, ou se fosse a vitória na própria Liga dos Campeões, tudo bem. Mas tanto barulho pelo nada de passar aos oitavos de final… Escusava até de aparecer gente com lembranças de não estarmos tão adiantados nesta competição desde 1982, quando chegámos aos quartos de final e fomos eliminados pelos espanhóis da Real Sociedade – já agora, convém lembrar que por esses tempos ainda havia a Taça dos Clubes Campeões Europeus, e que tudo começava apenas uma eliminatória antes dos oitavos de final; para cair frente à Real Sociedad (1-0 e 0-2) bastou ao Sporting eliminar o Dinamo de Zagreb (0-1 e 3-0, com três golos do próprio treinador, o último dos quais magistral) e o CSKA de Sofia (2-2 e 0-0).
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Falo do golo magistral aqui.
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terça-feira, 4 de novembro de 2008

O nome num texto

Ver o meu nome neste texto deixa-me cheio de orgulho, claro.
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António Souto – Crónica (5)

Quinta crónica de António Souto, depois desta, desta, desta e desta . O António mantém uma crónica («Ex-abrupto») no jornal da sua terra («Jornal D’Angeja»). Esta é a da edição de Outubro.
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Contos (d)e realidades
«A Última Colina» (1), um livro de Urbano Tavares Rodrigues, o mais recente, uma antologia de contos.
Admiro o autor (que tenho o privilégio de conhecer e de o ter modestamente como amigo), a sua bondade (sempre presente no olhar e no trato), o modo como governa a palavra, a sua mestria no falar e no dizer, o seu aprumo de valores.
A descoberta que fiz da/ na sua obra foi mais do que isto mesmo, foi uma revelação, um modo único de desvendar o homem e os afectos, um modo único de aprender as relações insidiosas entre os homens, mas, igualmente, a sua capacidade de perdoar, mesmo quando as consequências das atrocidades ficam indelevelmente gravadas na memória.
Em «A Última Colina» retomam-se estas dimensões. O registo do passado (de um passado-presente) vagueia pelos interstícios do texto, confundindo-se com as marcas da solidariedade e da fraternidade; a ternura e os apegos parecem ainda dar as mãos a uma ânsia de amar e de partilhar carícias. A juventude do autor (que em breve festejará os 85 anos) emerge por entre salpicos de alguma consciente desistência. Só nisto dói a leitura de um ou outro conto.
E depois há os outros, de uma manifesta actualidade.
(…) «Aquele palácio tinha a ver mais comigo do que jamais poderia ter imaginado.
Quem me guiava agora, através da pequena multidão de convidados, era a minha mulher, com o sorriso meigo dos seus melhores dias e um leve lume irónico nos grandes olhos verdes.
Acotovelávamos damas ultrapomposas, outras balofas e outras despidas em veludos e sedas rangentes, empresários vermelhos e atléticos, tostados pelo sol da riqueza ou com barbas altivas. Gente que falava de novas marcas e estratégias do poder, do simpático Bill Gates e da Microsoft, mas também de publicidade, de futebol, da televisão, numa linguagem cheia de segurança e de chavões. Eram os senhores do dinheiro e os senhores do mundo.
Olhámo-nos, eu e a minha mulher, com cumplicidade. ‘Têm os governantes necessariamente de se apalhaçar assim para agradarem e falar tanto em democracia e liberdade quando cada vez mais desses valores se distanciam? Teremos de gramar eternamente as mesmas obesidades mentais, a mesma mediocridade, o mesmo egoísmo palrador?’» (…)
(2)
Conto atrás de conto, revisitam-se lugares, vozes e perfumes, reconstrói-se uma vida. A vida de quem soube compreender as injustiças da Vida.
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Vida que insiste em manter-se injusta. Em tornar-nos semelhantes e diferentes, discriminadamente desiguais. Povos do Norte e Povos do Sul, desenvolvidos e subdesenvolvidos, ricos e pobres.
Porém, quando a Europa se une – os outros, mal deles, são os outros –, ficamos todos (nós) repentinamente mais ricos, porque mais unidos na fartura. Mais iguais. Pelo menos é o que nos dizem.
Mas quando umas parcas linhas de jornal nos noticiam que nós, daqui, portugueses, tardamos cerca de dois anos, em relação ao resto da Europa, a usufruir de novas terapêuticas, só porque os medicamentos mais eficazes, por serem caros, custam também aqui a chegar – como agora acontece no caso do cancro do pulmão –, então enxergamos como a ficção é tão real e tão oportunas são as palavras de Urbano Tavares Rodrigues…
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(1) «A Última Colina» (contos), Dom Quixote, Setembro de 2008
(2) In «Um Dia na Vida»
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Vale a pena

Sobre a falência do Banco Português de Negócios (BPN), vale a pena ler este excelente artigo de Pedro Santos Guerreiro. Pessoalmente, não posso deixar de esboçar um certo sorriso ao ler o seguinte excerto, onde o director do «Jornal de Negócios» fala de José de Oliveira e Costa: «que hostilizou a Deloitte, quando a auditora lhe fez reservas às contas; que contratou, para a substituir, a BDO Binder que, entretanto, caucinou sem pestanejo as contas anuais».
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Uma pergunta

Depois disto, disto e agora disto, será que ainda falta alguma coisa para demitir este tipo e impedi-lo de exercer cargos públicos em Portugal?
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Em Fevereiro

Afinal, o meu próximo romance, que pensei que seria publicado ainda este ano, fica para Fevereiro. Culpa minha, que me atrasei uns dias. É o que dá não ter a rapidez do Rodrigues dos Santos (sempre a abrir, tipo o que vem à rede é peixe), ou não ter nascido com duas ou três «vozes do eu», como parece que acontece com o Lobo Antunes, segundo ele conta («vozes do eu», ou seja, «vozes sem nome que estão dentro de nós», «vozes» que na volta vão ditando tudo, e o escritor, imagino, faz um bocado o papel de secretário, ou de dactilógrafo). Mas pronto, cada um desenrasca-se como pode.
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A rapariga da praia

Há uns dias, pelo fim da tarde, não muito longe daqui.
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O primeiro erro do arquipélago

Já contei a história uma vez num programa da Antena 1. O dia em que eu deixei de ler os livros de António Lobo Antunes. Eu lia tudo o que o homem escrevia, depois da descoberta de um belíssimo romance chamado «As Naus» (o grande livro de Lobo Antunes e que segundo julgo saber esteve para se chamar «O Regresso das Caravelas»). Lia tudo mas ao mesmo tempo sentia como que uma certa incomodidade, cada vez mais. Um dia dos primeiros anos da década de noventa. Eu a ler mais um romance, e a incomodidade cada vez mais notória. Uma família desgraçada que vivia em Alcântara. Uma rapariga, o tipo que vivia com ela e também o pai da rapariga. O pai sempre num sofrimento (doença). Os pormenores desse sofrimento. A casa que eu imaginava quase com as paredes a desfazerem-se. Um dia, não levava ainda muitas páginas lidas do romance, um dia disse para comigo: «Não, eu não estou para isto. Nunca mais leio os livros do Lobo Antunes.» E a verdade é que deixei de ler.
Até agora, vai para uns quinze anos. Nunca mais, nem um dos romances que entretanto foram saindo. De vez em quando fazem-me chegar a última novidade. E eu, nada. Nem uma espreitadela. Até quarta-feira da semana passada. «O Arquipélago da Insónia». Mais um envio, na volta um milagre qualquer, e o livro veio-me parar às mãos. Tenho-o aqui ao lado da secretária. Já folheei e pouco consegui perceber. Nem chegou para me assustar. O sofrimento de sempre; pressinto que está lá, mais do que isso, mais do que pressentir, tenho a certeza de que está lá. Ainda por cima reparei num erro logo na primeira frase, uma pequena palavra que ficou esquecida. «De onde me virá a impressão que na casa, apesar de igual, quase tudo lhe falta?»
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domingo, 2 de novembro de 2008

«Em Rio Ave»

Felizmente o jogo de ontem à noite em Vila do Conde – Rio Ave 0, Sporting 1 (Liedson) – correu bem; ganhámos, o assustador Caneira passou despercebido no regresso, Liedson vai mostrando que não desaprendeu e desta vez parece que Paulo Bento nem disse nenhuma asneira quando foi para falar. Mas atenção, isto é muito importante; ou seja, eu estou totalmente em desacordo com o pedido que o Francisco faz aqui.
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Nota: pedi emprestado o título deste post a alguns jornalistas que teimam em dizer «no jogo disputado em Rio Ave» em vez de «no jogo disputado em Vila do Conde».
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sábado, 1 de novembro de 2008

Hoje de manhã

Hoje de manhã, por aqui, depois do corte da lenha.
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